Brasília As críticas e reações negativas de diversos setores da sociedade e também de políticos às propostas de mudança no sistema previdenciário levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reunir ontem, na Granja do Torto, os líderes dos partidos aliados para cobrar apoio às reformas constitucionais e pedir que sejam abandonadas as ''idéias fechadas''.
O presidente pediu ''espírito aberto'' de todos no processo de debate e negociações para aprovar no Congresso, ainda este ano, a reforma da Previdência. No primeiro encontro formal com os líderes dos partidos da base aliada na Câmara, o presidente pediu a união da classe política também em defesa de outras reformas consideradas prioritárias para o governo, a tributária e a trabalhista.
''Não se pode partir para a discussão com idéias fechadas. É importante ouvir contribuições da sociedade antes de falar. Nesse primeiro momento, é preciso ouvir e, no segundo momento, explicitar o projeto'', disse Lula, segundo relato do líder do PT Câmara, Nelson Pellegrino (BA).
Na reunião, Lula recebeu o mapa político da Câmara, por onde começará a votação da reforma da Previdência, indicando que o governo poderá contar, no início, com 285 deputados fiéis às propostas do Executivo. Número insuficiente para aprovar uma emenda constitucional na Casa, onde são necessários 308 votos. Ciente disso, Lula avisou aos aliados que buscará a ampliação da base partidária, atraindo outros partidos, como PMDB, PPB e até setores do PFL.
''Lula afirmou que quer trazer esses partidos para sua base'', confirmou o líder do PL na Câmara, Valdemar Costa Neto (SP), que esteve na Granja do Torto. Lula pretende fazer isso pessoalmente, quando for necessário. É o caso do PMDB, que após e longos encontros com dirigentes petistas, ainda é um problema para o Palácio do Planalto. O presidente pretende procurar a cúpula do partido nos próximos dias.
A preocupação de Lula é explicável pelo comportamento que a maioria dos partidos hoje governistas adotou em todas as discussões sobre reformas constitucionais no Congresso. Especialmente sobre a da Previdência, quando os partidos de centro-esquerda, incluindo o PT, rejeitaram todas as propostas de mudança.
Com esse recado, o presidente quis deixar claro que as resistências, principalmente dentro de seu partido, devem ser quebradas para se chegar a um sistema previdenciário mais justo. Por meio do porta-voz da Presidência, André Singer, o presidente afirmou que, por enquanto, tem apenas uma ''concepção'' sobre essa reforma, e pretende acatar a proposta que sair do debate que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social promoverá com a sociedade, para, então, encaminhar um texto ao Congresso.
''O presidente entende que o Congresso é a Casa onde devem ocorrer os grandes debates, como os da reforma tributária, previdenciária e agrária'', afirmou o porta-voz. Segundo Singer, o almoço de ontem serviu, também, para que fosse apresentado aos líderes aliados o novo líder do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O presidente voltou a afirmar, durante o encontro, que pretende ler a mensagem que enviará ao Congresso na abertura da sessão legislativa, no dia 15. É a primeira vez que a mensagem presidencial ao Congresso será lida pessoalmente pelo presidente.

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