Presidente pede coesão a ministros
Catia Seabra e Adriana Vasconcelos Agência O Globo
Agência EstadoFernando Henrique: acima dos problemas partidários, segundo PimentaNa presença do ministro da Justiça, Renan Calheiros, o presidente Fernando Henrique Cardoso voltou ontem a pedir unidade no governo. Mas usou um tom bem mais leve do que na reunião ministerial da semana passada. Diante das notícias de que Renan estaria numa situação desconfortável e prestes a pedir demissão, o presidente o afagou. Todos os meus ministros têm minha confiança plena e absoluta, disse, segundo um dos cinco ministros presentes.
A permanência de Renan dependia da temperatura da reunião. Fernando Henrique listou êxitos do governo, enumerando índices acima das metas previstas. Foi então que apelou pela união dos ministros. Lamentou que brigas venham a embaçar a recuperação social e econômica do governo. Segundo ele, disputas partidárias são legítimas num processo democrático, mas não no seio de um governo.
Renan teria ficado calado. Segundo os participantes, o presidente também não dirigiu qualquer palavra a Renan. Os ministros deixaram o Palácio certos de que a reunião só foi convocada para justificar a da semana passada, quando Renan não figurava na lista dos chamados, alimentando as especulações de que estaria a ponto de deixar o governo. Foi uma reunião abrangente. Não se personificou, não se partidarizou, não se destacou uma questão - contou o secretário de Políticas Regionais, Ovídio de Ângelis.
FHC disse que não aceitará competição pública entre ministros ou aliados e reiterou que os ministros são do Governo, e não de partidos. O presidente disse que quer a unidade da equipe, de modo que temas positivos, como as reformas e o desenvolvimento, possam ganhar mais espaço, contou o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.
No fim da reunião, Renan conversou separadamente com Fernando Henrique. O presidente já havia antecipado a interlocutores sua expectativa de que o ministro permaneceria no cargo.
A briga dos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi comentada. O governo pretende tratar a questão como assunto do Congresso, e não como briga de aliados. A avaliação, no entanto, é que a briga é ruim para o País e, pelo nível das acusações trocadas, deixou a sociedade envergonhada.
Pimenta disse que o presidente decidiu não fazer mais a reforma ministerial. O recado foi passado aos líderes de partido e a Pimenta em encontros no Palácio do Alvorada, domingo. De acordo com o ministro, o presidente decidiu apenas colocar ordem na casa. Entre as exigências estão maior fidelidade ao governo e solidariedade ao presidente. Segundo Pimenta, o governo não vai mais interferir em problemas partidários, pois pretende ficar acima dessas discussões.





