Foz do Iguaçu - O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, ontem, em Foz do Iguaçu, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao comentar o convite para um diálogo. ''Eu conheço os problemas do Brasil. Ele parece que não conhece'', disse, num tentiva de evitar, desde já, que o encontro manche o rótulo de oposição do petista.
Lula disse considerar importante que todos os candidatos conversem com FHC devido a grave crise do País. ''Um ser político não tem que ter a preocupação de conversar com outra pessoa com muita prevenção. O presidente Fernando Henrique me conhece. Eu sei o que quero para o Brasil e vou dizer para ele com a maior clareza''.
Revidou mais uma vez as provocações de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), que o acusou de ter moderado o discurso. ''Tem gente que precisa gritar, que precisa ficar nervoso, que precisa xingar alguém para tentar construir a imagem de oposição. Eu não preciso''. Segundo ele, ''quem precisa se diferenciar, tem esse comportamento''.
A entrevista à imprensa foi sucedida de um debate no Hotel Internacional diante de um platéia com quase mil pessoas, entre elas trabalhadores, sindicalistas, empresários e políticos locais. Lula recebeu radiografias da crise econômica da fronteira feitas por empresários, representantes da comunidade árabe e da Associação Comercial.
A entrada dos políticos no salão do debate demonstrou as divergências entre os partidos da coligação PT, PCdoB, PCB, PL, PMN. Foram vaiados por militantes de esquerda o prefeito de Foz, Sâmis da Silva (PMDB), e o candidato a reeleição para deputado estadual Chico Noroeste (PL) este anunciado pelo apresentador, mas ausente no evento.
O petista comentou as características da região e fez elogios a beleza das Cataratas do Iguaçu, comentou a decadência da economia da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), prejudicada, segundo ele, pela falsa valorização do real e do peso argentino perante o dólar.

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