Presidente muda o discurso e diz
que ‘vagabundos’ são os ‘marajás’
Agência Folha

Agência Estado

(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ExploraçãoFernando Henrique e as crianças que participam da Marcha Global Contra o Trabalho Infantil e Pela EducaçãoO presidente Fernando Henrique Cardoso explicou ontem em Brasília que os ‘‘vagabundos’’ que ele criticou por se aposentarem antes dos 50 anos são os que ‘‘antigamente se chamava de marajás’’.
Na segunda-feira, durante palestra no Rio, FHC afirmou que fazia a reforma da Previdência para evitar as aposentadorias precoces ‘‘de vagabundos num país de pobres e miseráveis’’.
Ontem, ele negou que tenha ofendido alguém com suas declarações. ‘‘Quem se aposenta em média com menos de 50 anos são os que antigamente se chamava de marajás. Ou seja, as pessoas que ganham bastante, têm vida boa e que se aposentam para pegar outro emprego’’, disse ontem Fernando Henrique Cardoso.
O presidente associou as taxas de juros altas à necessidade de reforma na Previdência. Ele disse que não há déficit nas contas do Tesouro, mas no caixa da Previdência, provocado, inclusive pelo pagamento aos ‘marajás’.
Trabalho infantil Crianças e adolescentes que participam da Marcha Global Contra o Trabalho Infantil e Pela Educação pediram ontem em Brasília ao presidente Fernando Henrique Cardoso que tome providências contra a exploração de mão-de-obra de crianças. FHC respondeu que a solução não depende só dele e criticou a oposição.
O presidente afirmou que para as crianças terem o futuro que sonham, é preciso que ‘‘todos caminhem juntos’’ e não ‘‘cada um puxando para um lado’’.
A marcha reúne crianças e adolescentes de vários países que condenam o trabalho infantil e propõem sugestões para resolver a questão. O movimento vai ser encerrado no fim do ano, quando será entregue o documento com as queixas e propostas na sede da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra.
José Simão Cardoso da Silva, de 14 anos, leu a carta dirigida a FHC e aos presidentes do Senado e da Câmara pedindo o fim do trabalho forçado. Pediu que as escolas sejam transformadas em ‘‘lugares bons’’ e sugeriu que as autoridades troquem de posição com as crianças, tentando ‘‘se virar’’ nas condições em que vivem.
FHC respondeu às crianças e aos adolescentes como se fossem adultos. Reclamou das dificuldades em negociar com o Congresso e disse que aumentou o valor do piso salarial dos professores. ‘‘Foi dificílimo aprovar no Congresso’’, disse ele. ‘‘A oposição votou contra. Votou contra o aumento de salário do professor. Por quê? Para ficar contra o Brasil ou contra mim.
O presidente se referiu ao Fundo de Desenvolvimento do Ensino e Valorização do Magistério, no qual os estados devem investir pelo menos 60% dos recursos destinados à educação no pagamento de professores. O fundo foi criado por meio de lei, votada no ano passado.

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