Presidente Lula exige respeito dos inimigos
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terça-feira, 20 de junho de 2006
Evandro Fadel<br> Agência Estado 
Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou ontem no Paraná mais uma viagem com ar de campanha pela reeleição com direito a palanque onde estavam governadores, ministros e candidatos. Apesar do claro objetivo de angariar votos na região Sul, Lula negou o cunho eleitoral e disse que o Estado foi escolhido para o lançamento oficial do H-Bio, o novo diesel da Petrobras, porque é considerado ''um grande produtor de soja''.
Em discurso, Lula pediu respeito dos adversários. No fim do pronunciamento, Lula mandou o recado: ''Respeito é bom, eu gosto de dar, e muito mais, eu gosto de receber.''
Ao deixar o palco montado na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, onde participou do início do teste industrial para produção do H-Bio, um óleo diesel que une substância vegetal e petróleo no processo de refino, ele recusou-se a falar de eleições.
''Só discuto depois que houver convenção, depois que houver definições'', disse. Para Lula, o Brasil tornou-se uma ''nação grande'' e também quer respeito do mundo. ''Mas, se quiser respeito, tenho de respeitar-me primeiro'', afirmou. ''Durante muitos anos, este país não se respeitou.''
O presidente lembrou que, ao assumir o governo, o Brasil precisava vender dólares para baratear o preço da moeda, enquanto hoje compra com o objetivo de encarecê-la um pouco. ''O ministro da Fazenda corria para Washington todo fim de ano para fechar as contas aqui. Hoje, não pagamos o FMI (Fundo Monetário Internacional). Hoje, nós devolvemos ao FMI US$ 15,6 bilhões (R$ 35,11 bilhões em valores atualizados), que estavam ali e a gente estava pagando Juros'', afirmou. ''Não queremos mais o FMI, não queremos mais o Clube de Paris.''
Novamente, deixou mensagens para os críticos. Segundo Lula, os brasileiros são exigentes demais, até mesmo com a seleção brasileira, querendo que ganhe de goleada, quando 1 a 0 é o suficiente. ''Mas esquecemos que o País passou, praticamente, 20 anos estagnado'', disse. O presidente lembrou que, nesse período, foi líder sindical - ''muito importante, modéstia à parte''. Nas batalhas, disse ter conseguido pouca coisa.
''Agora, faz 43 meses que o emprego cresce de forma consecutiva, com carteira assinada. Há três anos, dirigentes sindicais, mesmo os mais pelegos, fazem acordos tendo ganho real'', declarou. Isso, segundo Lula, mostra que o Brasil está mudando. ''É como uma orquestra: primeiro afina, depois tem harmonia e as coisas acontecem sem muito barulho'', comparou.
Conforme o pré-candidato à reeleição, a Petrobras atrasou em 20 dias os testes industriais na Refinaria Gabriel Passos, em Betim, na Grande Belo Horizonte, para que o lançamento oficial fosse feito no Paraná, como homenagem aos produtores de soja do Estado.
''Vamos precisar de toda a soja que o Blairo (Blairo Maggi, governador do Mato Grosso) planta no Mato Grosso, mais a soja que o Requião (Roberto Requião, governador do Paraná) diz que não quer aqui, a transgênica'', acredita. Maggi e Requião estavam na solenidade.
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