Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou ontem, em reunião com ministros do grupo de coordenação política, a importância da série de conversas que vem mantendo com adversários. A exemplo do que disse no programa Café com o Presidente, Lula, segundo relato de um dos participantes da reunião, defendeu que o processo de ''distensão política'' é fundamental para o desenvolvimento do País.
''O presidente quer melhorar o ambiente político para criar uma sintonia com o bom ambiente econômico, e por isso vai conversar com dirigentes da oposição'', disse à reportagem uma fonte que pediu para não ser identificada.
Lula conversou até agora com os senadores Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA, ex-PFL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Também recebeu o governador de São Paulo, José Serra. No final da tarde, o presidente recebeu o senador Romeu Tuma (DEM-SP).
Na última sexta-feira, Lula convidou o professor Roberto Mangabeira Unger para assumir a nova Secretaria de Assuntos de Longo Prazo, um duro crítico do governo e do presidente, até aderir à reeleição de Lula, em 2006.
Lula disse ainda na reunião de coordenação de governo que vai ampliar também seus contatos com os movimentos sociais. Embora o mês de abril tenha sido marcado por manifestações, protestos e reivindicações, o Planalto considera que o diálogo político com os sindicatos rurais e urbanos está mantido, com exceção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que passa por uma crise na relação com o governo.
Participaram da reunião os ministros da Fazenda, Guido Mantega; das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia; da Comunicação Social, Franklin Martins; da Justiça, Tarso Genro; do Planejamento, Paulo Bernardo e da Secretaria Geral, Luiz Dulci.
Em sua ofensiva para abrir canais de diálogo com a oposição, Lula voltou a utilizar o programa de rádio Café com o Presidente para tratar de um tema político, o que não era comum no primeiro mandato. No programa, o presidente mencionou a conversa que teve com Tasso na semana passada. ''Veja, não havia por que não conversar com o Tasso Jereissati, de quem eu sempre tive uma boa relação, que ficou truncada no primeiro mandato. Coube a mim, como presidente da República, chamar o Tasso para uma conversa'', disse.
''Quando eu converso com o Tasso, converso com o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM), eu converso com eles sabendo que eles são oposição, sabendo o que eles pensam, sabendo qual é a definição do partido deles, que pode ter candidato em 2010.''
O presidente disse que, como não irá disputar as próximas eleições, tem ''apenas que deixar o Brasil em 2010 infinitamente melhor'' do que o Brasil que recebeu.

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