O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou Berlim ontem pela manhã, sem dar declarações, mas ironizou o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que retomou as críticas ao governo, e o temperamento dele. ‘‘Eu erro muito, como diz o Antônio Carlos’’, brincou, em resposta a um jornalista brasileiro. Exibindo bom humor, o presidente foi recebido em café da manhã pelo prefeito de Berlim, Eberhard Diepgen. De lá, ele seguiu direto para a base aérea do aeroporto da capital, rumo a Munique, onde se encontrará com o ministro-presidente da Baviera, um dos principais parceiros comerciais do Brasil naquele País. Nos últimos dias da estada na Alemanha, Fernando Henrique evitou comentar assuntos de política nacional. Na chegada, entretanto, mandou um recado ao senador baiano e voltou a avisar-lhe que ninguém lhe dá ordens.
A passagem dele pela Alemanha marca o endurecimento do discurso do governo brasileiro contra as barreiras não-tarifárias impostas pelos países desenvolvidos aos produtos do Brasil e dos membros do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). O presidente generalizou as críticas, afirmou que a política européia é atrasada e voltou a atacar a posição dos Estados Unidos. Fernando Henrique também sugeriu, e começou a articular, o estabelecimento de um cronograma para acelerar a criação de uma área de livre comércio entre União Européia e Mercosul. O presidente embarca amanhã para os Países Baixos, onde fica até terça-feira.

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