O presidente Fernando Henrique decidiu intensificar os contatos políticos para tentar se eleger no primeiro turno, antes mesmo de avaliar os primeiros resultados da campanha, iniciada sábado em Porto Alegre. De acordo com o coordenador político da campanha, Euclides Scalco, o presidente vai procurar comparecer a todos os estados. O que significa aumento do número das viagens inicialmente previstas.
Com isso, deve ser revista a idéia de limitar os dias de campanha às sextas-feiras e sábado. ‘‘Estamos numa eleição com a disputa marcada para 4 de outubro’’, lembrou. ‘‘Se não der, vamos ganhar em 25 de outubro’’.
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, esteve ontem pela manhã no comitê-central de campanha de FHC para tratar do assunto. Segundo ele, a primeira etapa da campanha ‘‘está correndo muito bem’’. ‘‘Acho que os partidos coligados estão trabalhando bem nos estados.’’
O tema também foi tratado na reunião do Conselho Político da campanha do presidente, ontem à noite, no Palácio da Alvorada. Ficou acertado que os ministros poderão fazer campanha fora do expediente de trabalho. ‘‘Ministros fora do expediente são cidadãos como todos os brasileiros e têm o direito de participar da campanha’’, justificou Scalco.
Ele disse que não haverá problemas com a Justiça Eleitoral se um ministro fizer campanha no fim de semana, depois de ter se deslocado para o Estado para atender a um compromisso do cargo. Scalco reconheceu que a avalição será outra, se o ministro usar de um transporte oficial apenas para fazer campanha.
Além disso, os diretórios regionais dos partidos passarão a ter um papel mais importante de agora em diante. Por intermédio deles, serão feitos os contatos para ‘‘aparar arestas’’ que hoje impedem Fernando Henrique de comparecer em palanques onde os aliados não se entendem. ‘‘Vamos conhecer as dificuldades de cada local para tentar ajudar’’, afirmou. Os palanques mais difíceis para o presidente estão em São Paulo e Rio, primeiro e terceiro colégios eleitorais do País.
O que continua em suspense é a possibilidade de candidatos de partidos aliados, cujas legendas nos estados não estiverem coligadas ao PSDB, exibir nos programas eleitorais cenas em que apareçam ao lado de FHC. Segundo Scalco, o que existe até agora é a autorização para eles usarem a imagem do presidente em ‘‘santinhos’’ e outros impressos.

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