Presidente inaugura turbina em Goiás
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem campanha pela reeleição em Minaçu, norte de Goiás. Na inauguração da primeira das três turbinas da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa - que já estava em operação desde 15 de abril -, disse que seu governo faz obras de interesse do povo e anunciou que começará a divulgar as obras realizadas. Afirmou que até o final do governo terá assentado 300 mil famílias, um recorde na história do País, segundo frisou.
E prometeu atacar o desemprego e distribuir, a partir de julho, 2 milhões de cestas básicas para os flagelados da seca no Nordeste.
No palanque do presidente, estiveram sem-terra de três assentamentos. Os presidentes das associações dos assentados de Mucambão, Noite Negra e São Salvador elogiaram Fernando Henrique e lembraram que, em menos de um ano e meio da existência dos assentamentos, já são auto-suficientes na produção de arroz, milho e verduras.
São pessoas que destilam alegria, não ódio, afirmou o presidente, numa crítica ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).
A turbina inaugurada ontem por Fernando Henrique começou a operar em 15 de abril, segundo o empresário Antônio Ermírio de Moraes, sócio de Furnas com o Bradesco e a Construtora Camargo Correa.
Esta turbina gera 425 megawatts de potência e, ao final de outubro, quando a terceira entrar em funcionamento, Serra da Mesa vai acrescentar mais 1.275 megawatts de energia produzida no Brasil, o que é suficiente para suprir o Distrito Federal e Goiás.
O consórcio que se associou a Furnas pagou US$ 181 milhões para ter 51,54% da Usina de Serra da Mesa. Durante 30 anos, os sócios privados vão receber 50% de todo o faturamento da usina. Antônio Ermírio, que participou do ato de inauguração, disse que o faturamento mensal do consórcio será de cerca de US$ 10 milhões por mês, ou US$ 120 milhões por ano. É um investimento para médio e longo prazo, disse ele.
No ato de inauguração de Serra da Mesa, Fernando Henrique deu início ao funcionamento da Usina de Corumbá. Um sofisticado sistema de comunicação via satélite permitiu que ele apertasse um botão a mais de 500 quilômetros de distância para acionar as turbinas de Corumbá. Engenheiros que estavam em Caldas Novas, no Sul do Estado, conversaram com Fernando Henrique por intermédio de um telão.
No comício no centro de Minaçu, para cerca de 4 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, Fernando Henrique afirmou que hoje o Brasil é um País de mãos abertas, não é mais um país perdido.
A hidrelétrica de Serra da Mesa, inaugurada ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é uma obra polêmica. Tocada por Furnas S/A, a obra secou 45 quilômetros do rio Tocantins, sumiu com 3,6 mil hectares das terras dos índios Ava-Canoeiros e alimenta uma ação de indenização por danos ambientais avaliada em R$ 2 bilhões.
Na Justiça tramita uma ação cautelar ambiental, na qual a Procuradoria da República em Goiás (PGR) denuncia que a usina foi construída sem a aprovação, prévia, do relatório de impacto ambiental (Rima).
Em outra ação, também tramitando na Justiça do Tocantins, a PGR requeriu perícia dos danos ambientais na área da obra, que engloba nove municípios em dois Estados.
Em 15 dias, e baseada nos levantamentos dos especialistas em flora e fauna da Unicamp, USP e o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), pedirá indenização, avaliada de R$ 2 bilhões, contra Furnas.
Muitos dos problemas ambientais, previstos antes das obras começarem, acabaram ocorrendo na área da usina, afirma a procuradora da República Rosangela Pofhal Batista. Plantas e peixes desapareceram de uma área de 45 quilômetros porque o rio Tocantins secou. O processo de secamento alimenta o sonho de centenas de garimpeiros que agora utilizam mercúrio na corrida pelo ouro.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Pelo socialFernando Henrique Cardoso e populares em Goiás: discurso e promessa de atacar o desempregoAgência Estado





