BRASÍLIA - A ameaça do baixo clero e das oposições persiste, mas o entusiasmo voltou a contagiar o comando de campanha do candidato à presidência da Câmara, o líder do PMDB Michel Temer (SP). Satisfeito com o trabalho de Temer na aprovação da emenda da reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu a condição de cabo eleitoral do peemedebista em um jantar em homenagem ao candidato com a bancada do PFL. Os aliados PFL e PSDB prometeram juntar-se ao PMDB neste fim de semana e farão plantão em Brasília para arrebanhar votos em favor de Temer.
O jantar aconteceu na residência do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Marcos Villaça. O convidado de honra, o presidente Fernando Henrique, esteve na festa apenas por meia hora, mas foi o suficiente para marcar o apoio que faltava ao candidato da aliança PMDB-PSDB-PFL.
Durante o jantar em que compareceram o vice-presidente Marco Maciel, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), os líderes do PFL e PSDB, os peemedebistas que trabalham na campanha de Temer e mais da metade da bancada do PFL, Fernando Henrique deu o sinal aos aliados: a hora é de não medir esforços para garantir a eleição de Temer.
Sérgio Motta e o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, também compuseram o comando de campanha de Temer. Reunidos com os dois ministros no almoço de Luís Eduardo, os líderes do PFL, PSDB e PMDB contaram, voto a voto, o apoio que Temer tem hoje. ‘‘Somamos 286 votos, vamos ganhar no primeiro turno’’, apostou o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS). Apesar do entusiasmo dos peemedebistas, o candidato Michel Temer é o menos tranquilo.
A maior preocupação de Temer está na capacidade dos líderes do PFL e PSDB de unificar as próprias bancadas em seu favor. Se até em sua bancada Michel Temer encontra defecções em torno de sua candidatura, a resistência entre pefelistas e tucanos gera muito mais temor.
Os problemas de Temer vão desde a formação de bloco entre o PSDB e PTB - uma ameaça à estabilidade da aliança PMDB-PFL-PSDB -, até a composição da Mesa Diretora, a campanha periférica conduzida por Wilson Campos nas bancadas governistas, a garantia de quórum na quarta-feira, e os conflitos envolvendo relatorias. Ontem, o peemedebista deparou-se com mais um inconveniente para sua campanha: foi procurado pelos deputados pefelistas Heráclito Fortes (PI) e Saulo Queiroz (MS) que o avisaram que a briga entre o PMDB e PFL em torno da relatoria do projeto das telecomunicações tem de ser resolvida antes da eleição.

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