O presidente Fernando Henrique Cardoso tentou evitar a polêmica sobre o alto custo da embaixada brasileira em Berlim, justificando que na nova sede, inaugurada oficialmente ontem, ‘‘cabem todos os interesses do Brasil’’. O Tesouro Nacional irá pagar pelo prédio de nove andares em uma das regiões mais valorizadas de Berlim aluguel mensal de US$ 130 8 mil – o equivalente a R$ 242 mil.
Horas antes, Fernando Henrique já tinha ignorado as perguntas sobre o valor do aluguel e riu diante da insistência dos jornalistas. ‘‘Eu prefiro este prédio aqui, é muito mais bonito’’, brincou, referindo-se à sede do Instituto Ibero-Americano Patrimônio Cultural da Prússia, onde participou de solenidade pela manhã. Ele também se recusou a comentar os novos ataques do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que defendeu a devolução do prédio onde a embaixada brasileira deverá funcionar pelos próximos 20 anos. ‘‘Não comento assuntos da política nacional no exterior’’, esquivou-se.
O ministro das Relações Exteriores, Luís Felipe Lampreia, avisou que o contrato não será revisto e justificou com limitações orçamentárias a decisão de alugar um prédio em Berlim por US$ 130,8 mil. ‘‘Poderíamos ter comprado, mas precisaria de US$ 30 milhões ou US$ 40 milhões’’, destacou, sem esconder a irritação. ‘‘Fazer o quê, ficar sem embaixada?’’
Lampreia disse que, em passado recente, o Itamaraty mantinha uma política de compra de imóveis que não pôde ser continuada, por causa das dificuldades de caixa impostas pelo ajuste fiscal. ‘‘Não temos dinheiro nem para pagar a OEA e as Nações Unidas quanto mais para comprar casas enormes’’, emendou.
Incomodado com a repercussão negativa dos custos de instalação da nova sede da chancelaria, que causou reação no Congresso Nacional e no Tribunal de Contas da União (TCU), o embaixador do Brasil na Alemanha defendeu-se das críticas. ‘‘O que representa uma embaixada não são as instalações que ocupa, mas o que ela faz’’, afirmou Roberto Abdenur.

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