A Câmara Municipal de Londrina foi alvo ontem de mais três afastamentos judiciais por suspeita de corrupção: tiveram os mandatos suspensos pelo juiz da 1ª  Vara Cível, Mauro Ticianelli, o presidente Sidney de Souza (PTB), o corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e o vereador Jamil Janene (PMDB). Também foi concedido o afastamento de Flávio Vedoato (PSC), que já estava com as atividades parlamentares suspensas. Com a decisão, o Legislativo londrinense já perdeu oito vereadores (dois renunciaram e seis foram afastados) desde a prisão de Henrique Barros (sem partido), em 10 de janeiro. O líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT), escapou do afastamento, mas também foi incluído na lista de réus no processo por suspeita de cobrar propina para aprovar lei de doação de terreno público no escândalo conhecido como ‘‘caso Caldarelli’’.
  No despacho publicado ontem pela manhã, o juiz Mauro Ticianelli reconhece que há ‘‘verossimilhança’’ na denúncia formulada pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) indicando a existência de ‘‘fatos graves no âmbito do Legislativo local’’. Ele também afirma que o afastamento visa evitar a ‘‘participação ativa dos acusados na tramitação de outros projetos (...) que pode implicar na manutenção de eventuais práticas ilícitas de percepção de vantagem econômica e prejudicar a correta e completa instrução da presente ação’’.
  O afastamento de Gláudio foi recusado porque, segundo o juiz, o vereador apresentou justificativa de que a cassação dos direitos políticos de Bonilha - autor das acusações - decorreu de denúncia feita por ele em relação à comercialização de terrenos irregulares na Acesf.
  A promotora Leila Voltarelli considerou importante o recebimento dos aditamentos (ampliações) às ações cível e criminal porque representa um ‘‘indicativo importante do envolvimento dos vereadores nas irregularidades que foram investigadas’’. Ela alegou que o Gaeco estuda apresentar pedido de reconsideração sobre a manutenção de Gláudio no cargo. Um dos motivos citados por ela é que a cassação dos direitos políticos de Bonilha decorreu, fundamentalmente, da suspeita de participação dele no esquema de cobrança de propina que envolve Barros - e não do caso Acesf. ‘‘Estamos avaliando a possibilidade de apresentar um pedido nesse sentido.’’
  O juiz Mauro Ticianelli, em entrevista à FOLHA, disse que se houver fatos novos reforçando a necessidade de afastamento, a medida ‘‘pode ser revista a qualquer tempo’’.
  A juíza da 3ª  vara criminal, Zilda Romero, também acatou pedido de ampliação de processo penal relacionado à mesma denúncia e deu prazo de 15 dias para apresentação de defesa prévia de Souza, Tamarozzi, Jamil e Gláudio. Os processos incluem ainda Barros e o ex-vereador Orlando Bonilha (PR), e os vereadores afastados Flávio Vedoato, Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (sem partido). Na ação cível, os vereadores são acusados de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, e na criminal, de concussão (extorsão por agente público) e lavagem de dinheiro. A juíza alegando que ‘‘há indícios que comprovam a participação dos denunciados’’ nos ilícitos.

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