Nelson Mandela, de 80 anos, e sua esposa Graça Machel, de 52, foram recebidos ontem de manhã com todas as honras pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto. O casal chegou anteontem à tarde ao Brasil para uma visita de 48 horas, depois da qual seguirá para Buenos Aires e em seguida a Usuhaia (Argentina), para participar no encontro de cúpula do Mercosul.
Usando um austero terno cinzento, que contrastava com o alegre amarelo do vestido longo de sua esposa, Mandela foi recebido por um FHC muito sorridente na entrada do palácio. O presidente sul-africano parecia ter certas dificuldades para andar e passou em revista um destacamento da guarda presidencial.
FHC recebeu Mandela ao descer do automóvel que o conduzia, ao pé da rampa que leva ao primeiro andar, o andar nobre, do palácio. Em seguida, escutaram os dois hinos nacionais e entraram finalmente no grande salão de recepção. Durante alguns poucos minutos, o casal convidado e FHC e Dona Ruth apareceram em um terraço que dá para a parte externa.
Depois, voltaram a entrar para assinar atas protocolares, assim como um documento que define a construção de um centro de informação e referência sobre a cultura negra, que em Brasília ocupará uma superfície de 6.000 m2, doada pelo Governo do Distrito Federal.
No discurso de boas vindas a Nelson Mandela, Fernando Henrique ressaltou que sua visita é motivo de alegria e inspiração. ‘‘Alegria porque estamos dando mais um passo importante no reencontro de duas grandes nações irmãs. Inspiração, porque o exemplo de sua vida de luta pela liberdade teve papel decisivo na reconciliação da sociedade sul-africana para o conjunto das nações’’, afirmou.
O presidente destacou que a repulsa da sociedade brasileira pelo apartheid adiou o projeto de parceria e integração que hoje está sendo celebrado entre os dois países. ‘‘O nome de Nelson Mandela é hoje um símbolo universal das virtudes da liderança política em seu significado histórico e humano mais pleno. Por isso, lamentamos apenas que vossa excelência seja um só. O mundo de hoje ainda está marcado por conflitos e manifestações de intolerência em diversas regiões. O mundo de hoje precisa de vários Mandelas’’, destacou Fernando Henrique.

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