Presidente dos EUA elogia FHC e se diz apaixonado pelo país
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Agência Folha Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Hillary cumprimenta Fernando Henrique: troca de gentilezas e esperança de países caminharem juntosO presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, respondeu ao discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, na noite de terça-feira, com outro, muito mais leve e simpático. Começou dizendo ser maravilhoso estar no Brasil, realizando um desejo seu de muitos anos, especialmente depois do que ouvira de sua mulher, Hillary, que esteve no país antes dele, em 1995.
Além disso, o presidente norte-americano afirmou que tinha vontade de conhecer o Brasil por ter se apaixonado pela música brasileira há cerca de 30 anos. Mais tarde em seu discurso, ele voltou a falar em música e arriscou suas primeiras palavras em português, com sotaque muito carregado: Não importa em que língua, o Brasil se expressa da batucada da Bahia à bossa nova, do ritmo do samba ao rock do tropicalismo. Quase ao final, outra referência à música: A música brasileira é o resultado de uma soma de influências e consegue ser maravilhosa e única. Da mesma forma, os povos do Brasil e dos Estados Unidos são produto de uma grande diversidade.
Clinton fez outros elogios à cultura brasileira. O Brasil já nos deu tantos artistas, como Candido Portinari, cujo trabalho está na Biblioteca do Congresso; esportistas como o grande Pelé e os campeões da Copa do Mundo, que conseguiram transformar Los Angeles no Rio de Janeiro em um dia. Também lembrou de Alberto Santos Dumont, a quem se referiu como um pai da aviação. O tradutor, brasileiro, fez uma pequena modificação para o pai da aviação, o codinome pelo qual Santos Dumont é conhecido no Brasil. Nos Estados Unidos, os irmãos Wright, norte-americanos, é que são considerados os inventores do avião. Ele também falou do astronauta brasileiro, que, em breve, estará na Nasa, a agência norte-americana de aviação, para participar do projeto da estação espacial.
Entre os artistas brasileiros que citou no seu discurso, Clinton falou do escritor Jorge Amado, que durante muito tempo foi simpatizante do Partido Comunista. Dos ritmos brasileiros de que se lembrou ao discursar, Clinton também incluiu chorinho e forró.
O presidente norte-americano também foi muito deferente em relação a FHC: Aplaudo o presidente Cardoso pelas reformas que tem feito na economia do país, muitas de alto custo político. Ao final de seu pronunciamento, Clinton voltou a elogiar o colega brasileiro. Quando eu o conheci, senhor presidente, antes de sua eleição, eu pensei: eis aí alguém capaz de imaginar o futuro. Agora, juntos, proponho que o construamos.
Quando falou de temas políticos e econômicos, Clinton procurou enfatizar a necessidade de uma parceria efetiva entre Brasil e Estados Unidos: Nós temos sido amigos na liberdade por um longo tempo. Em 1824, os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do país. Na Segunda Guerra, o Brasil se alinhou conosco para garantir a sobrevivência da liberdade. Agora, no limiar do século 21, com a liberdade em alta no hemisfério, Brasil e Estados Unidos, com as maiores populações e economias do continente, têm a obrigação histórica de liderar a revolução que está acontecendo aqui. Espero que nós possamos trabalhar juntos, ainda com maior proximidade.
O presidente dos Estados Unidos, que sofre de um problema dermatológico que deixa seu rosto muito avermelhado em algumas circunstâncias, como o calor, parecia estar sentindo os efeitos da temperatura (30 graus Celsius do lado de fora; pelo menos quatro ou cinco a mais no Itamaraty sob a luz dos refletores). Ele acompanhou com aparente atenção a tradução do discurso de FHC. Muitas vezes balançou a cabeça em sinal de aprovação. No trecho em que FHC disse que a nova ordem mundial não pode ser imposta, mas compartilhada, franziu as sobrancelhas em sinal de maior atenção. Hillary Clinton, de tailleur amarelo, também demonstrava acompanhar com interesse o discurso de FHC.


