Presidente do TST desafia Lula
Brasília- Três dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender a necessidade de abrir a ''caixa-preta'' do Judiciário, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Francisco Fausto, disse que o governo deveria abrir a ''caixa-preta'' da Previdência, divulgando a lista de devedores do órgão. ''O governo deveria publicar uma relação de todos os devedores para que tudo seja feito com muita transparência, para que todos fiquem sabendo os motivos pelos quais o servidor público, os funcionários de empresas privadas, enfim todos, estão sendo sacrificados'', afirmou Fausto.
Segundo ele, há dívidas ''históricas'' que, se fossem pagas, ''o servidor público seria menos sacrificado''. Uma dessas dívidas, de acordo com Fausto, é o dinheiro da Previdência que foi usado na construção de Brasília.
Francisco Fausto voltou a criticar a idéia do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de recomeçar do zero a discussão da reforma do Judiciário. ''Se o governo atual desenhar uma nova proposta nos próximos quatro anos, encaminhá-la ao Congresso Nacional e, ao final desse período, um outro presidente assumir, corremos o risco de tudo o que está sendo feito agora vir a ser alterado'', observou o presidente do TST.
Controle externo - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, advertiu ontem que ''é impensável'' o controle externo da atividade jurisdicional dos juízes - no trabalho de instrução dos processos e decisões. Pouco antes de ser homenageado na Associação dos Advogados de São Paulo, em solenidade na qual estava presente o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Marco Aurélio defendeu enfaticamente a ''independência do juiz, a independência daquele que se defronta com o conflito de interesses''. E concluiu: ''O juiz só deve estar sujeito à própria consciência.'' ''Controle externo de que?'', questionou o presidente do STF. ''Da atividade administrativa?, já o temos, mediante a atuação dos tribunais de contas. Da atividade jurisdicional?, isso é impensável.'' Marco Aurélio observou: ''Hoje não temos um controle interno e queremos passar do dia para a noite para um controle externo.''





