São Paulo - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, lançou ontem, em São Paulo, um desafio aos parlamentares que desejam congelar o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por quatro anos, até que as remunerações dos integrantes dos três poderes sejam equiparadas e um teto salarial possa ser estabelecido de forma definitiva pelo Congresso.
''Eu faço um desafio: troco o que ganho pelo que ganha um deputado e um senador. Vamos colocar no lápis as vantagens dos parlamentares. Se as vantagens não forem três vezes maiores do que recebe um ministro do STF, eu deixo a cadeira que tenho no Judiciário'', afirmou, após conceder a aula inaugural na Faculdade de Direito das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).
Mello informou que tem um ordenado bruto hoje de R$ 24,5 mil e criticou o governo, sob argumento de que o vencimento dele cai muito após os descontos. ''Eu ganho R$ 24,5 mil, mas tenho um sócio, que é o próprio Estado. Aí, meu líquido fica em torno de R$ 17 mil'', cutucou.
A questão dos vencimentos alimenta uma polêmica entre os poderes Legislativo e Judiciário desde o final do ano passado. Em dezembro, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou o ato das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara, que elevaram os subsídios dos parlamentares para R$ 24.500 - o reajuste de 91%, que revoltou a sociedade civil. A decisão do STF irritou parlamentares, que ameaçaram retaliar.
Hoje, o maior salário é pago pelo Poder Judiciário, seguindo pelo Legislativo (R$ 12,8 mil) e depois o Executivo (R$ 8.885). A isonomia entre os vencimentos dos três poderes já foi uma proposta defendida pelo ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e mesmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mello rebateu também as denúncias de que houve fraude eleitoral nas urnas eletrônicas de Alagoas nas últimas eleições. ''São estudos elaborados a pedido de um perdedor das eleições e foram feitos sem acesso à inteligência do sistema, que somente é acessível ao TSE'', menosprezou.
O presidente do TSE ressaltou, entretanto, que, mesmo tendo confiança absoluta no sistema, pediu uma perícia para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, e o Instituto Técnico da Aeronáutica (ITA) ''para afastar totalmente qualquer dúvida a respeito do que nós estamos fazendo''.
''Vamos aguardar os laudos da Unicamp e do ITA. Tenho certeza de que nós continuaremos tendo a urna eletrônica como um verdadeiro orgulho nacional em termos da escolha dos representantes e em termos de fidelidade à vontade dos eleitores'', acrescentou, lembrando que o sistema é usado há mais de dez anos e que, nesse período, nunca houve impugnação ou ''indícios minimamente sérios'' de adulteração. (Com Folhapress)

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