Presidente do TJ rejeita votação aberta
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quinta-feira, 06 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, desembargador Márcio Martins Bonilha, indeferiu ontem o mandado de segurança que pedia que a votação da cassação do mandato do prefeito da capital paulista, Celso Pitta (PTN), marcada para quarta-feira, fosse aberta, ao invés de secreta. O mandado de segurança foi interposto terça-feira pelos 23 vereadores de oposição.
A votação da cassação de Pitta está marcada para às 8 horas da quarta-feira. Pitta sofre 11 acusações de irregularidades na administração. Segundo informou anteontem o presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão Neto (PMDB), cada um dos 55 vereadores deverá se pronunciar caso a caso sobre as 11 acusações.
O líder do PT, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou que a oposição pretende recorrer novamente da decisão, desta vez, junto ao Supremo Tribunal Federal (STJ). Infelizmente, perdemos mais uma tentativa, mas vamos lutar até o último instante para que a votação seja aberta, afirmou Cardozo.
O vereador Wadih Mutran (PPB), que apóia o prefeito Celso Pitta (PTN), afirmou ontem que, independentemente do voto aberto, a vitória de Pitta já estava5 garantida. Segundo ele, o prefeito conta com 30 vereadores da casa a favor. Eu teria mais certeza de que Pitta não perderia se o voto fosse aberto, desafiou Mutran. Para que o mandato do prefeito seja cassado, é necessário o apoio de pelo menos 37 dos 55 vereadores.
De acordo com o parlamentar, um dos motivos da adesão dos vereadores é a administração do novo secretário de Governo, Arnaldo Faria de Sá. Eles estão gostando dele e isso está abrindo um espaço muito grande contra o impeachment do prefeito, afirmou.
Apesar de ter colaboradores próximos e pelo menos dois de seus vereadores trabalhando abertamente contra o impeachment de Celso Pitta, Paulo Maluf, defendeu ontem a cassação de seu ex-afilhado político. A votação é secreta e foi feita assim por essa bancada do PT que aí está. Se eu estivesse na Câmara, posso dizer que o clamor popular rejeitaria o Pitta, afirmou Maluf.
Maluf se aproveitou da companhia de Salim Curiati, o único dos 10 vereadores do PPB que sistematicamente tem votado contra Pitta, para reafirmar sua posição. Como você vai votar? A favor do impeachment, respondeu o vereador. E você é do PPB. Pedi para você votar pelo Pitta? Pediu para eu votar pela cidade, disse Curiati.
Na avaliação de Maluf, o fato dos vereadores Brasil Vita e Wadih Mutran, respectivamente líder e vice-líder licenciados do governo na Câmara e malufistas históricos, defenderem publicamente o prefeito demonstra apenas que o PPB é um partido democrático.
Eu não patrulho. O PT patrulha. O que penso do prefeito já falei. Mas uma coisa é eu achar e outra é querer mandar na consciência dos outros, afirmou ele. Quem julga o prefeito é a Câmara. Os vereadores é que têm o mandato para julgar. Eu acho que o Pitta não poderia ter perdido a oportunidade que Deus lhe deu de ter sido alguém respeitado. Ele não se deixou respeitar e está sendo um mal prefeito, completou.


