Brasília - Em nova reação contra o ataque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Marco Aurélio de Mello, disse que a declaração dele sobre a existência de ''caixa-preta'' na Justiça foi ''agressiva e infeliz'', porque teria sugerido que todos os juízes podem ser ''salafrários''. ''Não podemos permitir a transformação do excepcional em ordinário ou corriqueiro. É razoável que todos sejam considerados salafrários?'' Segundo Marco Aurélio, ''foi uma generalização inconcebível''.
O ministro Carlos Velloso, que antecedeu Marco Aurélio na presidência do STF, reforçou as críticas, dizendo que Lula ''está devendo uma explicação à sociedade''. Ambos transferiram para o governo e o Congresso a responsabilidade por falhas no funcionamento da Justiça citadas por Lula.
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, defendeu a criação de um órgão de controle externo do Judiciário, com a participação do Ministério Público e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas não de políticos. Já o presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Francisco Fausto, protestou contra o risco de a Justiça ser fiscalizada por representantes dos outros Poderes. O presidente da OAB, Rubens Approbato, defendeu o controle externo, mas fez restrições à revista de advogados na entrada de presídios, também defendida ontem por Lula. Approbato disse que a revista deve ser extensiva a todas as pessoas, inclusive juízes e promotores.

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