O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Costa Leite, classificou como ‘‘deboche’’ o fato de o ex-senador Luiz Estevão ter deixado na sexta-feira a Custódia da Polícia Federal num automóvel Mercedes-Benz e de ter sido recebido com fogos de artifício após três dias preso.
Defensor da liminar que garantiu a liberação de Luiz Estevão, Costa Leite disse que sentiu-se duplamente afrontado, como juiz e como cidadão. ‘‘A postura prejudica a imagem da Justiça, pois fica a imagem de que a pessoa que tem posses, sai da cadeia rindo’’, afirmou. ‘‘Como cidadão, também fiquei indignado.’’
O presidente do STJ ficou irritado com o fato de Luiz Estevão ter criticado a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região que determinou a prisão preventiva do ex-senador. Ele considera que o ex-senador não poderia ter ‘‘esculhambado’’ a decisão do tribunal paulista. ‘‘Quem é o seu Luiz Estevão para analisar decisão?’’, questionou. ‘‘Quem deve analisar são os tribunais superiores.’’
O comportamento de Luiz Estevão não repercutiu da mesma forma na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do STF, Carlos Velloso, disse que não percebeu nenhum problema na conduta do ex-senador. ‘‘Talvez porque não dei importância ao fato’’, afirmou.
Ontem, o STJ recebeu dois habeas-corpus, com pedido de liminar, encaminhados pelos advogados dos empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira. A defesa dos sócios da construtora Incal pede a revogação da ordem de prisão preventiva dos dois, que foi determinada pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região.
O relator dos habeas-corpus será o ministro Fernando Gonçalves, que na última sexta-feira concedeu uma liminar autorizando a liberação de Luiz Estevão. Os advogados alegam que os réus são primários, têm residência fixa e boa conceituação profissional.

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