Brasília - O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, afirmou ontem que não é bom para o Brasil abrir os arquivos do governo do tempo da ditadura militar. Para ele, esse tema ''é incabível'' em qualquer agenda de governo. ''Não ajuda o País remexer nas fissuras e tentar ferir nas feridas que já cicatrizaram'', afirmou o ministro, ao participar de solenidade alusiva ao Dia do Aviador, na Base Aérea de Brasília.
Vidigal disse que não ajuda o País remexer no seu passado, pois há muito mais coisas importantes a se fazer. Ele citou música do cantor Raul Seixas para justificar seu raciocínio. ''E agora eu me pergunto. E daí? Eu tenho uma porção de coisas para conquistar e não posso ficar aqui parado'', afirmou.
O presidente do STJ disse que o País tem que olhar para frente e que há uma comissão no Executivo que examina e ressarce às famílias que foram prejudicadas por eventuais danos causados por excesso do Estado. Ele disse que as ações estão sendo analisadas e que as famílias estão sendo indenizadas.
Para Vidigal, se a época da ditadura voltar a ser discutida, o País corre o risco de ser como as mulheres do Velho Testamento. ''Que de tanto olhar para trás, viravam pedra de sal''. Ele disse que o caso do jornalista Vladimir Herzog já foi resolvido porque a família moveu uma ação contra a União e a Justiça determinou o pagamento de indenização. Ele lembrou que a própria família do jornalista é contra a reabertura do caso.
Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Mário Heringer (PDT-MG), decidiu manter o pedido de perícia nas fotos de um homem nu publicadas, no domingo, pelo jornal ''Correio Brasiliense'' em uma reportagem sobre tortura. Heringer quer a perícia nas fotografias, mesmo depois da Secretaria Nacional de Direitos Humanos ter divulgado ontem que a Agência Nacional de Inteligência (Abin) informou que as fotos não são do jornalista Vladimir Herzog, mas sim de outro homem, cujo nome decidiram não revelar. Esse outro homem é o padre Léopold D'Astous, investigado na época pela ditadura por sua militância de esquerda.

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