Brasília - Em carta enviada às corregedorias de todos os tribunais federais do país, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, criticou a greve anunciada por juízes federais para o final de novembro. Segundo Peluso, tanto a greve quanto a ''operação-padrão'' em processos que envolvem a União são iniciativas inadequadas e trazem impactos negativos para a imagem da magistratura.
Para pressionar o governo por reajustes, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) informou que os juízes suspenderão até dezembro a publicação de citações e intimações de ações da Advocacia-Geral da União. ''Permito-me solicitar à vossa excelência [corregedor de cada tribunal] que transmita aos magistrados a minha avaliação e preocupação quanto à total inadequação da iniciativa, que, a par de eventuais repercussões no âmbito legal, certamente trará impactos negativos à imagem da magistratura como prestadora de serviço público essencial'', diz a carta assinada pelo presidente do STF.
Ontem, o presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Ari Pargendler, determinou a instauração de processo administrativo para apurar a ''operação-padrão''. O assunto será tratado na sessão do conselho na próxima segunda-feira. No primeiro semestre, o CJF aprovou proposta de Pargendler para descontar o subsídio dos magistrados que aderissem à paralisação de 27 de abril. A Ajufe informou que só vai se manifestar depois de notificada oficialmente.
A ''operação-padrão'' também gerou divergência entre as associações de classe do meio Jurídico. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, afirmou que respeita a decisão, mas entende que o melhor seria construir uma solução negociada. ''Fico preocupado com essa deliberação, que pode trazer consequências graves para o Tesouro'', afirmou. Ele estima em R$ 700 bilhões os valores de interesse da União que estão em discussão na Justiça Federal.
Já o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Renato Henry Sant'Anna, disse concordar com a medida. ''Todo movimento grevista é uma situação social de embate.'' Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, a atitude não tem sentido. ''Não vai engrandecer o debate a um nível que se espera'', disse.
Em duas notas divulgadas ontem, a Ajufe rebateu as críticas. ''É inverídica e irresponsável a afirmação do presidente da AMB, desembargador Nelson Calandra'', diz uma delas. ''É lamentável a ação contínua do presidente da AMB que, ao invés de proferir declarações distorcidas, deveria agir de forma independente na defesa dos juízes que representa e da sociedade'', completa a entidade.

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