Presidente do Senado sobe à tribuna para se defender
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Raquel Ulhôa Agência FolhaDe Brasília 
Pela terceira vez desde que assumiu a presidência do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) subiu ontem à tribuna para se defender de acusações de corrupção. Ele atribuiu a uma chantagem a notícia de seu suposto envolvimento em negociação irregular com TDAs. Jader acusou o advogado Gildo Ferraz de ter armado a conversa telefônica com o ex-banqueiro Serafim Rodrigues de Moraes e sua mulher, Vera Arantes Campos, que foi gravada e divulgada pela revista IstoÉ.
O objetivo, segundo o senador, seria forçar um acordo numa ação judicial movida por Ferraz contra a Rede Brasil Amazônia de Televisão Ltda., da família de Jader. Ele também insinuou que pode haver interesses políticos por trás da chantagem. Jader disse que há mais de um ano tem sido vítima de uma campanha preconceituosa, movida por fascistas e falsos democratas que querem atingir sua imagem.
O senador voltou a citar cada denúncia contra ele e repetiu os argumentos em sua defesa: envolvimento com corrupção na Sudam, responsabilidade por desvio de recursos públicos depositados no Banpará, desvio de recursos da Sudam para um ranário de sua mulher, Márcia Centeno, e participação em desapropriação de uma fazenda que não existia e a operação irregular com as TDAs.
Além dos três discursos feitos exclusivamente para se defender de acusações de envolvimento em corrupção desde a sua posse, em 14 de fevereiro, Jader subiu à tribuna outras duas vezes movido pelas denúncias contra ele. A primeira, em 12 de março, para divulgar auditoria da empresa Boucinhas e Campos para mostrar que seu patrimônio era compatível com suas declarações de renda de 1990 a 99. A segunda, em 21 de março, para anunciar que assinaria o requerimento propondo a CPI mista da corrupção, desde que fossem incluídos casos envolvendo o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
No caso Banpará, o senador argumentou que de nada adiantou a divulgação do relatório do Banco Central de 1992, assinado pelo Departamento Jurídico e pelo então presidente da instituição, Francisco Gros, inocentando-o dos desvios ocorridos no banco estadual quando era governador. Não há prova nem ação contra mim. Mesmo assim, a imprensa vive requentando a notícia, disse. As acusações, segundo Jader, causaram um dano irreparável a ele, que foi condenado previamente.


