O presidente do PV de Londrina, Marcos Colli, foi preso ontem à tarde por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), acusado de ''abuso de vulnerável''. Conforme artigo 217 do Código Penal, o abuso de vulnerável se caracteriza quando a vítima é menor de 14 anos ou incapacitada para se defender. A reportagem não conseguiu contato ontem com o Gaeco para obter mais informações sobre o caso. Colli foi levado para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) por volta das 18h30 e colocado em cela individual por ter curso superior. Ele é advogado e já foi candidato a prefeito de Londrina em 2008. Atualmente, ele tem um cargo comissionado na Câmara de Vereadores, onde atua como assessor da presidência.
Segundo informações obtidas pela reportagem, Colli já vinha sendo investigado há mais de um mês até ser detido ontem quando saía de uma agência bancária que fica no saguão da Prefeitura de Londrina. A denúncia que motivou a investigação do Gaeco teria partido do ''Disque Denúncia'', serviço nacional de abuso contra criança e adolescente mantido pela Secretaria de Direitos Humanos.
O advogado Maurício Carneiro, que assumiu a defesa do político, disse à FOLHA que vai pedir hoje ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Katsujo Nakadomari, a transferência de Colli para uma sala do Estado Maior. ''Entendo que ele tem esse direito, é um advogado atuante aqui em Londrina.'' Carneiro lembrou que esse benefício já foi concedido ao ex-vereador Joel Garcia e ao ex-procurador do município Fidelis Canguçu, quando presos por corrupção. Ambos são advogados e ficaram presos no Batalhão da Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros, respectivamente. Carneiro afirmou que foi contactado pela família de Colli ontem no começo da noite e não poderia dar mais detalhes do caso. ''Vou me inteirar da acusação.''

Exoneração
O presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), disse que assinaria ainda na noite de ontem portaria para exonerar Colli de assessor lotado no gabinete da presidência. Ele prestava auxílio técnico à Comissão de Meio Ambiente. ''Dada a gravidade da denúncia, a permanência dele fica insustentável em um cargo público. Vou exonerá-lo e, se provada a inocência, poderia eventualmente readmiti-lo'', declarou Rony, que se disse ''absolutamente surpreso'' com a prisão de Colli. ''Sempre foi um assessor competente sem nada que o desabonasse. Ficamos absolutamente surpreendidos.''

Trajetória
Marcos Colli tem 50 anos, formou-se em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1988 e desde 1989 é advogado em Londrina. Ingressou na vida pública em 1996, como diretor da antiga Comurb, hoje Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU); entre 1998 e 2000, no governo de Antonio Belinati, foi secretário de Recursos Humanos; e entre março e agosto de 2000, superintendente da Acesf. Em 2010, fez parte do Conselho Municipal de Meio Ambiente. Em 2008, disputou a Prefeitura de Londrina, fazendo 3,3 mil votos, e em 2012 uma vaga na Câmara Municipal. Este ano, por indicação do vereador Mário Takahashi (PV), assumiu um cargo comissionado na Câmara, nomeado por Rony.

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