Presidente do PT minimiza voto de ministro do TSE
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Márcio Falcão<Br>Folhapress 
Brasília - O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, minimizou ontem o voto divergente do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Felix Fischer que aceitou na noite de anteontem a acusação de propaganda eleitoral antecipada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. O julgamento foi interrompido com 3 votos favoráveis ao arquivamento e um pela aplicação de multa de R$ 5.000 a cada um.
Segundo Dutra, o julgamento não traz preocupação porque a maioria dos ministros que já apresentou seu voto entendeu que a acusação da oposição não deve prosseguir. Para o presidente do PT, não há chances de a ministra, pré-candidata do PT à sucessão presidencial, diminuir o ritmo das participações nos eventos do governo para inaugurar obras.
''Nós continuamos insistindo que não há campanha. Nesses eventos, tanto o presidente quanto a ministra não estão fazendo campanha, não há ilegalidade. Agora, vamos esperar a decisão do tribunal'', disse.
O presidente Lula e a ministra desembarcaram ontem no Paraná para participar de cerimônia de conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e inauguração da Unidade de Propeno Rodovia do Xisto, na BR-476, e visitou ainda a linha de montagem de computadores da Positivo Informática, em Curitiba. No início da noite, já em Londrina, Lula e Dilma ainda participam da assinatura de convênios do programa Minha Casa, Minha Vida e da inauguração de um call center na cidade.
Dutra disse que a ministra deve deixar o governo até o dia 30 de abril, após participar do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), principal programa de investimento do governo.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vacarrezza (PT-SP), voltou a criticar os partidos de oposição. ''A oposição está sem ideias para debater na eleição e fica insistindo em denúncia atrás de denúncia, caminho utilizado pelo velho PFL que agora se chama DEM. Queremos é o debate de propostas, não vamos ficar nos importando com essas questões menores'', disse.
Campanha antecipada
No julgamento de quinta-feira, que ainda não foi concluído por um pedido de vista do ministro Fernando Gonçalves, Fischer defendeu que Lula e Dilma fizeram campanha. Os partidos DEM, PPS e PSDB se basearam nos discursos proferidos por Lula e Dilma na inauguração da barragem Setúbal, em Minas Gerais, em 19 de janeiro de 2010.
Segundo a ação apresentada pelos partidos, o presidente afirmou, no discurso, que é importante que o governo inaugure o ''máximo de obras possível'' até o fim de março para ''mostrar quem foram as pessoas que ajudaram a fazer as coisas nesse país''.
''Até três meses antes do pleito, autoridades podem participar de inaugurações, mas não podem incutir um candidato no imaginário do eleitor. Ainda que não haja pedido explícito de voto, trata-se de propaganda disfarçada'', disse Fischer.
A propaganda eleitoral é permitida apenas a partir de 5 de julho.


