Curitiba - A briga entre o governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), ganhou mais um capítulo ontem, depois das manifestações do presidente do PMDB da Capital, Doático Santos.
Pedro Borges, auxiliar do advogado Jorge Pilotto, à frente do caso a pedido do prefeito de Curitiba, informou ontem que Beto entrará com uma ação indenizatória contra Doático em função de suas ''declarações caluniosas''. Na última sexta-feira, Doático afirmou que um oficial de Justiça, ''acompanhado de meia dúzia de jagunços da prefeitura'', teria ''invadido'' a sede do PMDB de Curitiba para tentar recolher os panfletos produzidos pela legenda, e que têm sido distribuídos desde quinta-feira pela cidade.
Doático se refere ao mandado de busca e apreensão expedido anteontem pelo juiz Humberto Gonçalves Brito, da 12 Vara Cível de Curitiba, a pedido do prefeito. O panfleto reproduz uma carta, assinada por Doático, na qual é dito, entre outras coisas, que o prefeito tucano é um ''menino mimado e malcriado''. Santos também chama Beto de ''prefeito preguiça''. Ontem, Doático convocou uma entrevista coletiva para dizer que a atitude do prefeito foi ''autoritária''. ''Nem nos tempos da ditadura militar sofremos uma coisa assim. Nós estamos repudiando o ato com veemência, em favor da livre manifestação partidária''.
Doático afirma que quando os ''guarda-costas do prefeito'' chegaram havia ''três ou quatro funcionários'' dentro do diretório. Santos teria chegado depois e chamado a Polícia Militar (PM) para impedir a vistoria. ''Eu não fui intimado, eles não podem apreeder nada''. ''E quando a PM chegou eles já tinham ido embora'', relatou. Já o auxiliar do advogado, que acompanhou o oficial de Justiça, tem outra versão do episódio. ''Não tinham funcionários da prefeitura. Era só eu e o oficial de Justiça. E eu nem entrei no diretório, fiquei aguardando no carro'', contou ele, acrescentando que a ligação para o 12º Batalhão da PM foi feita pelo próprio oficial de Justiça, ao ser ''coagido'' por Doático.
''O oficial foi impedido de terminar a vistoria. Quando os policiais chegaram, o oficial ainda estava no diretório, mas eles não ajudaram a cumprir o mandado''. O tenente Marco Aurélio Xavier, à frente da ação da PM, confirmou que a ocorrência foi aberta a partir de uma ligação do oficial de Justiça. Ao chegar no local, porém, o tenente encontrou o diretório fechado. ''Estavam todos do lado de fora. E daí acho que o oficial achou por bem cumprir com o mandado num outro dia'', informou ele, acrescentando que a função da PM era a de ''garantir a integridade do oficial'', e que não poderia mandar abrir o diretório. Alguns funcionários do PMDB também teriam dito que a vistoria já havia sido realizada.
Borges acrescentou que, além do mandado, foi determinada uma multa diária de R$ 5 mil caso os panfletos continuassem a ser distribuídos. Santos disse que está mobilizando a militância do PMDB para continuar distribuindo e reproduzindo os panfletos em Curitiba e no Litoral.

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