Presidente do Peru manifesta rechaço sobre relatório da Lava Jato
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Rubens Valente<br>Folhapress 
Brasília - O presidente do Peru, Ollanta Humala, convocou ao Palácio do Governo na noite de anteontem o embaixador do Brasil em Lima, Marcos Raposo Lopes, para "expressar seu rechaço" e solicitar informação oficial sobre as investigações da Polícia Federal na Operação Acarajé, a 23ª fase da Operação Lava Jato. Da reunião, segundo nota distribuída pela Secretaria de Imprensa da Presidência do Peru, também participaram o presidente do Conselho de Ministros, Pedro Cateriano, e a ministra das Relações Exteriores, Ana María Sánchez.
Os investigadores da Operação Acarajé apreenderam uma planilha em poder de uma pessoa "com vínculo empregatício" com a construtora Odebrecht na qual são citados alguns "usos" de recursos da empreiteira, dentre os quais um certo "Projeto OH", que segundo a PF pode ser uma referência ao presidente Ollanta Humala. A citação aparece ao lado da cifra de R$ 4,8 milhões.
"A se confirmar esta hipótese investigativa, o então dirigente máximo do Peru teria sido beneficiado pelo Grupo Odebrecht e isto, de alguma forma, estaria atrelado aos investimentos feitos pelo governo federal naquele país", diz relatório da PF subscrito pelo delegado da PF Filipe Pace. Outro dado relativo a Humala, segundo a PF, foi encontrado no telefone celular do dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, "quando este relaciona aquele (Humala) de forma oposta ao termo 'humildade', consta ainda nesta anotação a questão de dinheiro para Angola e Peru". A Odebrecht atua em diversas obras no Peru, incluindo a construção da usina hidrelétrica de Chaglla, corredores viários e um projeto de irrigação. Entre 1998 e 2014, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou cerca de R$ 1 bilhão para obras no Peru realizadas pela Odebrecht, conforme dados liberados pelo banco no primeiro semestre de 2015.


