''A realidade era outra. Condenar o passado é muito perigoso.'' Com essas declarações, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti, defendeu-se ontem das críticas levantadas por ambientalistas quanto à sua responsabilidade no loteamento do Jardim Vale Verde (Zona Leste), construído sobre área de preservação permanente.
Na última segunda-feira, o advogado da ONG Meio Ambiente Equilibrado (Mae), Camillo Kemmer Vianna, apresentou documentos comprovando que Bortolotti era sócio da Urbanizadora Nacional, que loteou o Vale Verde na década de 80, e também diretor-técnico da Gecap, empresa que requereu à prefeitura a liberação do empreendimento. O bairro foi erguido sobre nascentes e minas d'água, e seus esgotos desembocam no Córrego Inhambu.
O presidente do Ippul afirmou que esse foi o único loteamento feito por sua ex-empresa em Londrina e que foi um ''ato absolutamente lícito, cujo projeto foi elaborado em cima das diretrizes fornecidas pela prefeitura, em acordo com a lei de loteamentos de 1951''. Ele alegou ainda que não era necessário fazer perfurações de solo à época, e que pela ''identificação visual'', não foi possível saber da existência de minas no local.
''Nós temos hoje uma compreensão de meio ambiente diferente daquela que havia há 30 anos. Temos que ter muito cuidado ao fazer essa leitura do passado, senão daqui a pouco estaremos condenando os bandeirantes e os pioneiros de Londrina, que derrubaram a mata, mataram os bichos, expulsaram os índios'', comparou. Bortolotti concordou que a área do Vale Verde precisa ser recuperada, mas sustentou que esse ônus não pertence aos antigos loteadores.
Sobre sua permanência à frente de um órgão que se envolve com planejamento ambiental, questionada pelo advogado da ONG Mae, ele se disse capacitado e destacou um currículo de ''mais de 30 anos fazendo planejamento para Londrina''. ''Se ele (o advogado) está questionando, é porque quer o meu cargo, seja para ele ou para outro'', rebateu.

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