Presidente do Grêmio admite irregularidades
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quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Era para ser o último depoimento, mas as declarações do presidente do Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina, Luiz Bispo da Silva, ontem à tarde, parecem ter trazido mais dúvidas que esclarecimentos aos integrantes da Comissão Especial de Investigação (CEI) do Seguro. Nas quase duas horas em que falou aos vereadores, Bispo admitiu ter usado em 2004 dinheiro que pagaria seguro de vida de servidores municipais para quitar ações tralhistas e décimos terceiros salários de funcionários da entidade, bem como multas do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) referentes a obras irregulares na sede do clube.
Presidente do Grêmio desde maio de 2004, Bispo admitiu no depoimento à CEI que pode retornar com a apólice coletiva com a Bradesco. Também à Comissão, há cerca de duas semanas, o corretor da empresa em Londrina, Gilberto Schell, informou que a dívida mantida com a seguradora já chegava a quase R$ 800 mil, devidos em parcelas de R$ 49,8 mil desde abril do ano passado.
Como reconheceu não ter coletado a assinatura de dois terços dos segurados para efetuar a troca de empresa para ficar com a Real Seguros a exigência é legal, e a vigência da apólice com a Bradesco expira no mês que vem , ''por falta de experiência'' no assunto, Bispo declarou que a idéia é retornar à antiga seguradora. ''Meus advogados me pediram para trocar de seguradora, falando que não daria problema. Creio que fui muito mal assessorado'', disse. O advogado do Grêmio, Adílson Vendrami, acompanhou Bispo junto com o contador e auditor Carlos Rodrigues, mas não quis informar os nomes dos dois ex-advogados, ''por uma questão de ética''.
O relator da CEI, Gláudio Renato de Lima (PT), afirmou ao final da reunião ter notado ''fortes indícios'' que teria havido desvio de recurso também na gestão de Bispo. Em depoimentos passados, o ex-presidente do Grêmio, Glenisson Rodrigues, afirmou ter usado verba de seguro para obras de ampliação no vestiário e construção de piscinas na entidade. ''Não são valores pequenos, são cerca de R$ 122 mil (repassados pela Prefeitura ano passado) que quero acreditar que estão bem justificados na sua contabilidade'', ponderou. Em seguida, em entrevista, Bispo explicou que ''sentará com a Real e com a Bradesco e resolver esse impasse''.
O presidente da CEI, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), comentou que ficaram ''muitas controvérsias'' no depoimento de ontem, e que deve chamar os dois ex-advogados do Grêmio para prestar esclarecimentos, bem como suprintendentes da Real Seguros.


