Presidente do Congresso defende Bezerra
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sábado, 14 de dezembro de 1996
Agência Estado<br> De Brasília 
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu ontem o relator da Comissão Mista do Orçamento, senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), se disse convencido da seriedade dele e afirmou não haver provas contra o colega.
A comissão de sindicância da Câmara que apurou as denúncias contra o deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) recomendou que o Senado investigue a participação de Bezerra no aumento de valor de R$ 1 milhão para R$ 3,5 milhões na emenda para o hospital de Niquelândia (GO). Bezerra teria triplicado o valor destinado à obra, pois a emenda apresentada pelo sub-relator Pedrinho Abrão previa R$ 1 milhão.
Para Sarney, Carlos Bezerra está sendo alvo de um jogo político. Nas declarações transmitidas pelo secretário de Comunicação, Fernando César Mesquita, o presidente do Senado afirmou que não há nenhuma prova de que o relator superfaturou o valor de obras beneficiadas com recursos do orçamento.
Durante toda a semana houve boatos no Senado de que seria anunciado o nome de um senador envolvido em irregularidades no Orçamento. Foi um dos assuntos do cafezinho e dos corredores, mas Bezerra não chegou a ser citado na relação dos possíveis envolvidos.
Carlos Bezerra disse ontem, da tribuna do Senado, estar revoltado com a leviandade, a incompetência e a irresponsabilidade da comissão (de sindicância) da Câmara que o acusou. Essa comissão tenta atingir a minha honra, que é a grande riqueza que carrego; não há nenhuma ilicitude, nenhuma imoralidade, nenhuma ilegalidade nos atos que pratiquei.
O relator fez um apelo aos colegas para que votem o Orçamento na próxima semana, quando a matéria estará integralmente publicada para análise. Bezerra disse que a comissão de sindicância deveria ter ouvido a Comissão do Orçamento para saber o que ocorreu. Segundo ele, o deputado Pedrinho Abrão apresentou seis emendas ao projeto de lei suplementar nº 90, num total de R$ 14,3 milhões.
Advertido pela assessoria técnica da necessidade de definir prioridades, Abrão optou pela referida emenda de R$ 3,5 milhões, aprovada por unanimidade no plenário da comissão. O senador lembrou que nesse mesmo dia, à tarde, estourou o escândalo envolvendo Abrão.
Carlos Bezerra foi aparteado e recebeu o apoio de vários senadores, como Pedro Simon (PMDB-RS), Geraldo Melo (PSDB-RN), Marluce Pinto (PMDB-RR) e Romero Jucá (PFL-RR).


