O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, defendeu ontem em depoimento na Justiça Federal a diretora de fiscalização do BC, Tereza Grossi, e o socorro governamental aos bancos Marka e FonteCindam, operação que definiu como ‘‘anormal’’, mas ‘‘justificável’’.
Segundo Fraga, na época da ajuda aos bancos, Tereza Grossi não tinha poder de decisão sobre a liquidação de instituições financeiras. Era, afirmou, uma funcionária que cumpria decisões tomadas por superiores no BC. Fraga ainda classificou Tereza como uma ‘‘excelente profissional, uma pessoa tenaz, sensível e corajosa’’. Disse ainda que sua nomeação para a diretoria de fiscalização – à época da desvalorização do real, ela ocupava o cargo de chefe-adjunta do departamento – foi uma escolha pessoal.
Fraga também defendeu a tese de risco sistêmico para justificar a ajuda aos bancos. Ele disse que, se os bancos não tivessem sido socorridos, antes de ser liquidados, o país correria o risco de passar por uma ‘‘quebradeira generalizada’’. ‘‘O risco não estava no fato de esses dois bancos quebrarem, mas de o mercado entender que o sistema de proteção de mercado futuro, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (M&F)), não tinha capacidade de honrar seus contratos de dólar futuro, gerando uma incerteza no mercado, compras maciças de dólar e retirada de investimentos’’, afirmou ele, para quem o país vivia um momento de ‘‘certo terror’’.

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