Presidente do banco quer depor
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, disse ontem ao relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR), que deseja depor o mais rápido possível. Brandão ligou de manhã para Requião. O presidente do Bradesco disse que deseja depor, e rápido, afirmou o relator da CPI.
O Bradesco aparece como o maior comprador individual dos títulos emitidos pelo Estado de Pernambuco para o pagamento das dívidas cobradas no Judiciário - os chamados precatórios. Estes títulos estão sendo investigados pela CPI. De acordo com documentos do Banco Central, o Bradesco tinha, em 11 de novembro do ano passado, 277.300 Letras Financeiras do Tesouro de Pernambuco (LFTPEs), correspondentes a 57,7% da emissão total, que foi de R$ 480 milhões.
Roberto Requião comunicou ontem à CPI que o cheque de R$ 9,56 milhões emitido contra o Banco Dimensão em favor de Fausto Solano Pereira não foi descontado na boca do caixa do Bradesco, informação que vinha sendo dada pelo relator da CPI. O cheque foi compensado normalmente. Requião afirmou que Lázaro Brandão se propôs a lhe mostrar os caminhos do cheque. Ele (Brandão) contestou apenas a notícia do pagamento do cheque na boca do caixa, não sua origem, que pode ser ilegal, disse o relator.
Logo após o telefonema de Brandão para o relator, o Bradesco divulgou nota afirmando que o senador havia desmentido qualquer declaração sobre a ilegalidade do resgate do cheque de Fausto Solano. A informação não procede. O cheque foi acolhido normalmente em conta e liquidado regularmente pelo serviço de compensação de cheques, dizia a nota do banco.
A confusão provocada pelo cheque acabou favorecendo a convocação dos banqueiros responsáveis pelos fundos de renda fixa que foram tomadores finais dos papéis investigados. O assunto está na pauta da CPI desde terça-feira, sofrendo sucessivos adiamentos. Ontem, os senadores Casildo Maldaner (PMDB-SC) e Emília Fernandes (PTB-RS) foram designados pelo relator para completar o trabalho de identificação dos bancos e fundos de pensão de estatais que ficaram com os títulos.
O trabalho encomendado aos senadores permitirá à CPI comparar o preço final dos títulos com os valores pagos pelas corretoras que intermediaram a venda. Essa diferença é o prejuízo teórico dos acionistas dos bancos, dos clientes dos fundos de renda fixa e dos associados dos fundos de pensão. Além do Bradesco, já foram identificados como tomadores finais dos papéis de Pernambuco a CEF, o Banestado e os fundos de funcionários da Petrobrás, Embratel, IRB e Serpro. Em Santa Catarina os compradores foram o Banco Multiplic e os fundos da Embratel, Caixa e Petrobrás.


