Presidente diz que recebe sem-terra
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de abril de 1997
Agência Folha 
PORTO VELHO - O presidente Fernando Henrique Cardoso anteontem, após receber seguidas vaias de representantes de trabalhadores rurais de Rondônia, que não vê razão nenhuma para não receber o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que chega em marcha no próximo dia 17 a Brasília. Eles me pediram realmente uma audiência. E, todas as vezes, eu os recebi. Não vejo razão para não recebê-los, disse FHC - pela primeira vez sem impor qualquer condição para o encontro.
Antes, FHC dizia que, para receber os trabalhadores rurais, o MST tinha de respeitar a lei, ter uma agenda com propostas numa disposição nítida de avançar, e não apenas pedir a demissão do ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) ou fazer críticas ao processo de reforma agrária em curso.
O presidente, que no sábado visitou Rondônia pela primeira vez, escorregou e caiu sobre uma escada de madeira, molhada, que tinha degraus com 30 centímetros de altura, pouco antes de chegar ao palanque presidencial. FHC foi levantado por um segurança - o mesmo que também havia escorregado e caído sobre o presidente - e não demonstrou ter se machucado. Depois brincou: Gostei tanto de Rondônia que até beijei o chão!.
Logo após a queda, FHC alternou momentos de bom humor e de ira, ao referir-se a um grupo de aproximadamente 150 manifestantes - a maioria do MST, que pedia agilidade na reforma agrária -, que protestava com palavrões, vaias e palavras de ordem contra seu governo. Que as bandeiras do Brasil tremulem para calar a boca de quem não tem respeito nem pelo povo, nem por Rondônia, nem pelo Brasil, afirmou o presidente, pedindo que estudantes e moradores de Porto Velho - que usavam camisetas FHC 98 OK- agitassem as bandeiras do PSDB e do Brasil que haviam sido distribuídas.
Em Rondônia, FHC inaugurou duas obras: uma que está pronta desde outubro de 96 e outra que não teve qualquer recurso federal. A primeira é a quinta turbina da hidrelétrica de Samuel. A outra é a estrutura portuária para o escoamento de grãos pelo rio Madeira.


