Presidente diz que não vai sair
Luis Lomba
O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o Neco, reafirmou ontem o compromisso de lutar para recuperar a credibilidade do banco, missão que lhe foi designada pelo governador Jaime Lerner. Ele descarta a possibilidade de pedir demissão e coloca nas mãos do governador a responsabilidade pela solução do imbroglio com o deputado Aníbal Khury. ‘‘Todos os cargos de diretoria são da confiança do governador e cabe a ele decidir qualquer substituição’’, disse.
Questionado sobre se a pressão do presidente da Assembléia Legislativa caracterizaria interferência indevida entre os poderes, Neco respondeu: ‘‘Pelo que você está me dizendo, sim’’. ‘‘O Paraná tem que acordar para o regime democrático em vigor no País, no qual devem prevalecer a integridade, a moralidade e a honestidade, sendo desaconselhável que líderes de um determinado poder dêem conselhos que não lhes foram pedidos’’, comentou.
Neco diz que lamenta que o presidente da Assembléia não tenha pedido a substituição de diretorias que, no passado, concederam empréstimos a quem não tinha capacidade financeira para honrá-los. ‘‘A inadimplência em nossa carteira de crédito passa hoje dos R$ 800 milhões, o que nos obriga a ir ao mercado financeiro pagando taxas de juros altíssimas, na casa dos 3,4%. O banco não é uma casa de benemerência’’, afirma.
O presidente desmente a informação do presidente da Assembléia sobre as perdas de R$ 500 milhões nos últimos dias. E ironizou: ‘‘Não sei como um homem ocupado como o Aníbal encontra tempo para ir atrás deste tipo de informação’’. Para desmentir a queda nos depósitos no Banestado, Neco diz que as aplicações em caderneta de poupança aumentaram R$ 224 milhões de janeiro a abril deste ano.
Neco Garcia Cid esteve ontem em Londrina para negociar com o prefeito Antonio Belinati a permanência no banco do dinheiro com que a Copel vai pagar a aquisição de ações do Sercomtel, a ser anunciada hoje.

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