Presidente diz asneira, acusa Lula
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domingo, 23 de agosto de 1998
Maklouf Carvalho Agência Folha 
O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, em discurso feito na noite de sábado, em Mauá (Grande São Paulo), que o presidente Fernando Henrique Cardoso chamou os sem-terra de maconheiros. FHC disse, ontem, na Bahia, que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) está cooperando com produtores de maconha no Nordeste. Não provou a acusação.
O presidente da República, que é um professor universitário, está ficando especialista em falar asneira contra o povo brasileiro, disse Lula. A primeira foi chamar o povo brasileiro de caipira. A segunda foi chamar aposentado de vagabundo. A terceira é chamar os sem-terra de maconheiros. O discurso do candidato petista foi o último do primeiro showmício da campanha petista nessas eleições. Reuniu estimadas 10 mil pessoas (segundo a polícia) ou 15 mil (segundo os organizadores), concentradas na avenida Portugal.
Mauá - a cidade vermelha, como a chamou o presidente do PT José Dirceu, o primeiro a discursar - é administrada pelo prefeito Oswaldo Dias, do PT. O showmício foi encerrado pelo conjunto Fundo de quintal. No palanque lotado de candidatos aos cargos proporcionais, Lula fez seu discurso ao lado de sua mulher, Marisa, e da candidata ao governo de São Paulo, Marta Suplicy. A seguir alguns trechos do discurso de Lula:
Brasil fantasia Vocês estão vendo o programa do Fernando Henrique na televisão, vendendo um Brasil que não existe. É um Brasil fantasia. O Brasil que nós queremos é o Brasil do emprego, o Brasil da educação, é o Brasil da saúde, da reforma agrária, do pequeno e médio produtor. É o Brasil que não tenha mais seca e ninguém vivendo por conta de cesta básica, porque nordestino não quer cesta básica. Nordestino quer trabalho, quer ter o direito de trabalhar, quer reforma agrária, e nós estamos cansados de viver de migalhas do presidente da República.
MotoboyVou abordar uma coisa que a Marta Suplicy tocou aqui muito de passagem, a respeito dos assassinatos que o motoboy fez em São Paulo com dez meninas. A minha preocupação é que as dez moças que foram assassinadas, todas elas aderiram à conversa do motoboy porque todas elas estavam precisando do emprego e o motoboy se apresentava pra elas com a perspectiva de arrumar um emprego. É por isso que pra nós a questão do emprego é fundamental. Se não tivermos em conta a necessidade de priorizar uma política de geração de emprego pra essa juventude, certamente o desespero poderá levar meninas e meninos à violência, às drogas, à criminalidade, e não é esse o país que nós queremos construir. Nós queremos construir um outro país, onde os nossos jovens tenham a certeza de uma educação de boa qualidade, onde as nossas meninas e os nossos meninos tenham a certeza que vai ter escola técnica para ensiná-los uma profissão e pra poder trabalhar nesse país, onde as meninas e os meninos terão certeza absoluta de que a universidade não será um privilégio dos ricos, mas será um direito de todo e qualquer brasileiro, independentemente da origem social.
Vamos ganharNão adianta a propaganda do FHC, não adianta o apoio da imprensa, não adianta, às vezes, até a mentira da televisão. O que adianta é que nós vamos ganhar as eleições no dia 4 de outubro.


