Presidente descansa em Minas
O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu descansar até o fim de semana na Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade dele. O presidente tem 65 anos e, nos últimos sete dias, enterrou dois amigos - os principais articuladores políticos do governo, Sérgio Motta, ex-ministro das Comunicações, e Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ex-líder do governo na Câmara - e visitou oficialmente três países: Bolívia, Chile e Espanha. Fernando Henrique seguiu ontem à tarde, de helicóptero, para a fazenda, depois de permanecer durante toda a manhã no Palácio da Alvorada.
Nem mesmo os ministros palacianos - Casa Civil, Clóvis Carvalho, e Secretaria-Geral, Eduardo Graeff - que despacham diariamente com o presidente, foram ontem ao Alvorada.
A Assessoria de Imprensa do Planalto negou ontem que Fernando Henrique esteja planejamento fazer um novo check-up.
O cancelamento da agenda do presidente Fernando Henrique Cardoso na Espanha e o seu repentino regresso ao Brasil, por causa da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães, foram tratados pelos quatros principais jornais de Madri, emissoras de rádio e televisão espanholas. O jornal El País, de Madri, de maior circulação, diz que a suspensão da viagem gerou mal-estar no Ministério das Relações Exteriores, apesar de o chanceler espanhol, Abel Matutes, que se despediu de Fernando Henrique no aeroporto, ter assegurado que haviam entendido perfeitamente o estado de ânimo do presidente brasileiro.
A embaixada brasileira em Madri descarta qualquer mal-estar, atribuindo a instafisfação a funcionários que trabalharam diretamente na preparação da visita. O jornal El País informa que o cancelamento da visita causou certa perplexidade à diplomacia espanhola. A matéria diz que os espanhóis consideravam a viagem de especial importância e lembraram que ela havia sido preparada durante meses. Por isso, acrescentaram, não viam motivo suficiente para o cancelamento da programação, muito embora Fernando Henrique tenha garantido sua volta ao País nos dias 18, 19 e 20 de maio.
Além de El País, os jornais ABC, El Mundo e Diário 16 também mencionam a morte de Luís Eduardo. El País afirma que o presidente Fernando Henrique, depois de ter perdido o seu braço direito na política, no último domingo, perdeu, agora, o seu braço esquerdo. Diz que Fernando Henrique perdeu o seu mais firme candidato a sucedê-lo na Presidência.
Segundo El País, o presidente sofreu duas importantes baixas que respaldavam a sua campanha à reeleição. Luís Eduardo Magalhães foi qualificado pela imprensa espanhola como o mais eficiente e respeitado interlocutor do Executivo no Parlamento brasileiro.





