Brasília Numa operação de emergência montada para evitar danos políticos ao Programa Fome Zero, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou ontem o ministro extraordinário de Segurança Alimentar, José Graziano, e garantiu, por meio de seu porta-voz André Singer, que não há qualquer veto ao nome do bispo de Duque de Caxias, Dom Mauro Morelli, para integrar o Conselho de Segurança Alimentar (Consea). ''Convém esclarecer que não há qualquer veto a d. Mauro Morelli. Ele é uma pessoa querida do governo e poderá participar do conselho cuja composição ainda está em elaboração'', disse Singer.
Antes da palavra do porta-voz, o bispo de Duque de Caxias foi chamado para uma reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci. Era a primeira parte da operação de ''recomposição'' de Dom Mauro ao governo. Na reunião ele ouviu dos auxiliares do presidente que ele terá total espaço no processo de definição do principal projeto social do governo e que deverá fazer parte, ao contrário do que se divulgou, do Consea.
Ficou novamente visível o mal-estar entre Graziano e Dom Mauro. Depois de dizer a Dom Mauro que seu nome havia sido vetado sob alegação de que era necessário se evitar atrito com meio evangélico, Graziano não participou da reunião de ontem no Planalto com o bispo.
Dom Mauro saiu, aparentemente, satisfeito da conversa no Planalto. ''Fica claro da minha parte e da parte dos evangélicos que nunca houve problemas em 38 anos dp Ministério Pastoral. Se alguém sonhou que a minha presença causaria atrito não há'', disse. Seu nome será indicado ao Consea pela sociedade e acolhido pelo governo Lula.

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