Presidente defende encontro de Davos com Porto Alegre
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Davos Uma ponte entre o econômico e o social, entre os fóruns de Porto Alegre e Davos, foi defendida ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de maneira bem humorada. ''É fantástico voltar ao Brasil e os meus companheiros do Fórum Social Mundial perceberem que estou voltando inteiro e ninguém comeu nenhum pedaço de mim. Também é importante que os participantes deste Fórum, até os que não estão aqui, terem consciência que o Lula não comeu nenhum pedaço deles. E aí está colocada a possibilidade de um encontro entre os dois fóruns.''
Lula disse que Porto Alegre e Davos têm muita coisa em comum, embora pareçam distantes à primeira vista. Ele comparou a aproximação dos dois debates às negociações sindicais, em que o antagonismo parece grande mas, à medida que se conversa, restam ''pontos a serem ajeitados.''
O presidente disse à platéia internacional que grandes desafios não o assustam, até porque sua história pessoal prova que é possível superá-los. ''Fui comer pão pela primeira vez aos sete anos. Eu sou de uma terra em que quando as pessoas não morrem até um ano de idade já é um milagre. Eu não morri, criei um partido político e virei presidente.''
Depois de proferir seu discurso e conceder uma série de audiências, Lula esteve no hospital de Davos, visitando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que quebrou o tornozelo esquerdo. Dpois, ele partiu rumo a Berlim. Hoje, Lula tem audiência com o presidente, Johannes Rau, e janta com o primeiro-ministro, Gerhard Schroeder. Amanhã, Lula deverá encontrar-se com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köehler, em Paris.
Em fevereiro, embarca para o Brasil a missão técnica do Fundo, que deverá analisar os dados da economia brasileira no quarto trimestre de 2002 e traçar as metas deste ano.
Segundo o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, o governo não vai correr com a discussão sobre reforma tributária só para atender ao FMI. O acordo prevê que, até março, o governo enviará ao Congresso propostas para solucionar o ''buraco'' na arrecadação que se abrirá com a queda da alíquota da CPMF de 0,38% para 0,08% a partir de 2004. Mas Palocci mantém sua posição de que a CPMF será discutida na reforma tributária. Portanto, essa questão não necessariamente seguirá para o Congresso até março.


