Curitiba - Apesar das críticas feitas no plenário da Assembléia Legislativa na terça-feira, a CPI do Banestado confirmou ontem o pedido de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos. No entanto, a CPI vai analisar o laudo cadavérico e os documentos referentes ao acidente automobilístico no qual morreu Osvaldo Magalhães e depois, se restar dúvidas, formalizará o pedido de exumação à Justiça.
O presidente da CPI, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), disse que não vai recuar das investigações apesar das pressões. O deputado estadual Nelson Justus (PFL), integrante da CPI, abandonou a comissão na terça-feira como forma de protesto pelo pedido de exumação. Ele chegou a dizer que vai pedir ''exame de sanidade mental'' dos membros da comissão. O deputado Jocelito Canto (PTB) disse que ele próprio reconheceu o corpo de Osvaldo Magalhães no dia da morte e criticou a decisão da CPI.
Osvaldo Magalhães é acusado pelo Ministério Público de participar de 26 operações ilegais que geraram prejuízo de pelo menos R$ 400 milhões (os valores podem chegar a R$ 600 milhões) na Banestado Leasing. Ele teria concedido empréstimos para empresas sem lastro financeiro para quitarem as dívidas.
Durante as investigações da CPI, Osvaldo Magalhães foi citado várias vezes. Ele morreu com 38 anos em 7 de setembro de 1998, quando bateu o automóvel que dirigia contra um ônibus, na BR-277, em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Na época ele era secretário do governo de Jaime Lerner (PFL), cargo que ocupava há dois anos. Desde o acidente há boatos de que Osvaldo Magalhães teria forjado a própria morte e atualmente estaria vivendo no exterior. Como esse assunto foi mencionado nos depoimentos à CPI, os deputados resolveram investigar o caso.
Segundo laudo técnico da época do acidente, Osvaldo Magalhães estaria dirigindo em alta velocidade. Mas a perícia não obteve detalhes suficientes por causa da pane no computador de bordo do veículo. O acidente foi bastante grave e o rosto do ex-secretário ficou desfigurado.
De acordo com o chefe-administrativo do Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa, Manoel Ferreira Martins Neto, os pedidos de exumação têm que ser muito bem fundamentados para que a Justiça libere a análise. ''Os exames a serem feitos dependem do que a autoridade quer saber sobre o corpo. Isso deve estar bem explicado no pedido ao juiz'', explicou.

mockup