Presidente de Comissão de Mortos Políticos entrega o cargo
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Agência Folha 
Brasília - Reclamando da ''falta de vontade política'' do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de localizar os corpos de desaparecidos durante a ditadura militar (1964-85), o advogado Luís Francisco Carvalho Filho anunciou que vai deixar a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, da qual é presidente. Carvalho Filho, 46, diz que deixa o grupo por ''motivos pessoais'', mas deixa claro que pesaram as dificuldades que enfrenta à frente da comissão. Antes de sair, vai entregar a Lula um relatório apontando os obstáculos.
O principal, diz, é a falta de diálogo entre o governo e a comissão. ''Isso vem desde o governo Fernando Henrique, mas está recrudescendo no governo Lula. Sinto uma falta de vontade política.'' A falta de diálogo, segundo ele, acontece principalmente em relação à guerrilha do Araguaia (1972-75). Ele lembra que no ano passado o governo criou uma comissão interministerial com a mesma atribuição de localizar os corpos dos desaparecidos no Araguaia. ''Nunca recebemos nenhum tipo de informação sobre o que essa comissão de notáveis conseguiu.''
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos foi criada em 1995, por FHC, para fazer o reconhecimento das pessoas que morreram ou desapareceram por terem combatido a ditadura e ajudar na localização dos corpos. Atualmente é ligada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos.


