Presidente da Telepar é demitido por desacato à CPI
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Maria Duarte<BR>Vânia Casado 
O presidente da Telepar Brasil Telecom, Juan Ramon Aviles, foi demitido ontem do cargo. O afastamento teria sido motivado porque ele desacatou os integrantes da CPI da Telefonia que investiga denúncias de irregularidades em contas telefônicas e escutas clandestinas , durante o depoimento que prestou na última terça-feira. A direção nacional da holding de telefonia esteve ontem na Assembléia Legislativa, no final da tarde, para comunicar a demissão de Aviles ao presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), e ao presidente da CPI, Tony Garcia (PPB).
A Telepar não confirmou nem desmentiu a demissão de seu presidente. A assessoria de imprensa informou apenas que não foi possível checar a informação.
No depoimento à CPI, Aviles disse que estava se sentindo insultado. ''Para mim, achar que estamos fazendo brincadeiras é uma falta de respeito com a empresa'', afirmou, depois do pronunciamento do deputado Algaci Tulio (PTB), que classificou como brincadeira o manual ''Telefone fácil um guia para melhor ligar'', lançado no mês passado pela Telepar.
Aviles disse que fez várias propostas para que deputados e o Procon visitassem as instalações da empresa no Paraná. ''Convidei os senhores para ver como funciona o sistema de telefonia da Telepar. Ninguém atendeu aos convites. Vamos reconhecer que existem problemas pontuais na telefonia, mas todos foram herdados. Temos que discutir soluções. Nos ajudem e não nos critiquem usando a mídia e fazendo papel de palhaços'', disse, batendo a mão sobre a mesa. Na avaliação dos deputados, esse comportamento motivou o afastamento.
Estiveram na Assembléia o vice-presidente da holding, Jorge Jardim, e o diretor jurídico da empresa, Pedro Aguiar de Freitas, que vieram de Brasília. ''As notas taquigráficas da sessão apontaram a ofensa aos deputados'', disse Garcia. ''Ele não demonstrou respeito pela Assembléia'', reclamou.
Segundo o deputado, Jorge Jardim disse a ele a ao presidente da Assembléia que reconhece que a CPI está cumprindo seu papel, de defender o consumidor.
A CPI investiga a cobrança segundo os deputados indevida de aluguel de aparelhos de telefone. A Telepar enviou ontem nota oficial reiterando que o aluguel de aparelhos telefônicos é uma prática que vem da década de 70, herdada do antigo Sistema Telebrás e que continua na Região II apenas no Paraná, atendendo a cerca de 130 mil clientes. ''O aluguel do aparelho telefônico (diferente do aluguel de linhas telefônicas, que é proibido) é um serviço de locação prestado ao usuário, vinculado, sem obrigatoriedade, à prestação do serviço telefônico fixo comutado.''
A empresa finaliza a nota afirmando seu ''apreço e respeito ao Poder Legislativo do Estado do Paraná''.


