Presidente dá sinais de mudança de comportamento
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sábado, 01 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Já vai longe o tempo em que a entrada do Palácio da Alvorada era ponto de encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com eleitores e admiradores. Enfrentando críticas à atuação de seu governo e com uma popularidade já não tão alta como nos primeiros meses do mandato, Lula, agora, evita até mesmo baixar o vidro do carro. Os terrenos baldios vizinhos ao Palácio da Alvorada e ao Palácio do Jaburu (ocupado pelo vice-presidente José Alencar) foram cercados. Protestos e pedidos de ajuda na porta do Palácio do Planalto se tornaram corriqueiros.
Um desempregado de Cariacica, Espírito Santo, queria uma audiência com Lula e acabou pondo fogo no corpo em plena Praça dos Três Poderes, morrendo dias depois num hospital de Brasília. Na última semana, advogados públicos, com salários na faixa de R$ 10 mil, bloquearam a saída usada pelo presidente. Lula teve de usar a porta dos fundos.
Nas viagens, assessores ordenam que seguranças fiquem ''colados'' a Lula. Alambrados substituem as cordas de isolamento e o presidente tem sido aconselhado a usar coletes à prova de bala.
Em abril, no programa ''Café com o Presidente'', Lula afirmou que vê com ''naturalidade'' os protestos. ''Temos que entender que as passeatas, manifestações e greves são uma conquista da sociedade'', salientou. ''Às vezes, os que criticam o governo estão mais certos do que os que elogiam'', completou.


