Desde que a Câmara de Vereadores de Londrina constituiu um grupo de estudos sobre a viabilidade da Sercomtel, há um mês, as manifestações sobre o futuro ou mesmo sobre a situação atual da telefônica têm sido colocadas quase que exclusivamente pelos próprios agentes políticos - alegando cautela, representantes da empresa adotaram a tática de falar apenas oficialmente, quando requisitados pela Casa. Em entrevista à FOLHA, ontem, o presidente Gabriel Ribeito de Campos justificou: a divulgação de informações técnicas pelo Legislativo via sistema de conta-gotas pode prejudicar a imagem da Sercomtel no mercado. ''O cidadão fica só com os questionamentos que a comissão traz, sem nenhum parecer conclusivo. Isso não é bom'', sentenciou.
Na avaliação de Campos, boa parte da discussão conduzida na esfera política - ainda que a natureza da análise dos números, insiste o grupo, se pretenda técnica - se trata, na verdade, de ''opiniões esparsas sobre as quais não se pode fazer debate''.
''O que vem à tona, pela mídia, é não raro um questionamento que não foi totalmente esclarecido, entendido ou elucidado. E isso é o que fica para a opinião pública'', disse Campos. ''Acontece que uma frase mal colocada por um diretor, um funcionário da Sercomtel ou mesmo por alguém da Câmara pode comprometer uma imagem que levou 39 anos para ser construída. Por isso que adotamos a precaução de nos manifestarmos formalmente, pois é feito com reflexão e com a absoluta certeza de que não se está enganando alguém, ou se precipitando.''
Desde que o trabalho dos cinco vereadores teve início, um controlador e dois contadores da empresa participaram de uma reunião para expor dados sobre a Celular, principal foco na atual etapa de análise. Para as próximas reuniões, o presidente do grupo, Sidney de Souza (PTB), já avisou que convidará também funcionários da telefônica ligados à parte técnica e o diretor do sindicato que representa a categoria (Sinttel), João Henrique Shimidt. ''A Câmara está apenas aprofundando números que sempre expusemos a ela. Tenho certeza de que o trabalho ali pretende ser feito da melhor forma possível'', minimizou Campos, que, acredita que um mês ''é cedo'' para se emitirem opiniões. ''A menos que o grupo trabalhe todos os dias da semana, em período integral.''
Um dos membros do grupo, Tercílio Turini (PPS) defendeu que o trabalho ''tem sido cuidadoso''. ''Temos que ser transparentes, até porque essa é uma questão de interesse público'', considerou. ''E não são opiniões nossas, mas dados fornecidos pela própria Sercomtel via pedidos de informação nossos'', concluiu Turini.

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