Presidente dá resposta a Brizola
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que as responsabilidades pelos problemas do País não podem ser apenas do governo federal, mas compartilhadas com Estados e municípios. Me apieda ver pessoas que pensam que são progressistas querendo que tudo seja resolvido pelo presidente da República, afirmou. Ele classificou de autoritarismo esse tipo de cobrança, com o argumento de que é um atraso ser contra a municipalização.
Fernando Henrique não quis confirmar se estava respondendo ao presidente do PDT, Leonel Brizola. No programa eleitoral do partido, transmitido na quinta-feira à noite em cadeia de rádio e TV, Brizola afirmou que Fernando Henrique deve responder por todos estes problemas, pois o Brasil adota o sistema presidencialista. Não vi o programa, desconversou.
As declarações de Fernando Henrique foram durante o lançamento do livro Transportes Urbanos - Cidades com Qualidade de Vida, no Palácio do Planalto. Ele defendeu também que Estados e municípios assumam sua parte na condução da reforma agrária. É uma bandeira que querem pregar no governo federal, disse.
Em seu discurso, o presidente voltou a cobrar do Congresso responsabilidade na aprovação dos projetos. Lembrou que muitas medidas da área de transportes, pleiteadas pelo setor, dependem da cooperação do Legislativo. Não precisa esperar que seja o governo federal, o presidente da República, que extraia a fórceps do Congresso as decisões. Ele recomendou que se faça pressão nos vários níveis, e que cada um assuma responsabilidade própria.
O governo, afirmou FHC, precisa da uma cooperação ativa do Congresso para levar adiante as transformações. Ao dizer isso não estou me furtando à responsabilidade que é própria do governo federal, justificou, dizendo não estar se esquivando das discussões de temas importantes como, por exemplo, os transportes.
O Código Nacional de Trânsito, citou, espera votação na Câmara. Ele lembrou o dramático trânsito da cidade de São Paulo, onde se gasta muito tempo em deslocamentos por causa do excesso de veículos. Segundo o presidente, antigamente a questão atingia apenas as classes populares, mas agora, por causa do abuso do transporte individual, a perda de tempo no trânsito atinge a todos.


