Albari Rosa/Folha de LondrinaLima Rosa: ‘‘Estamos em campanha pela reeleição de FHC sim, e daí?’’

O presidente da Radiobrás, Maurílio Ferreira de Lima (PSDB-PE), afirmou ontem que somente a elite brasileira, ‘‘constituída por intelectuais e sociólogos’’, tem tachado de ‘‘casuísmo’’ a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Ninguém acha a reeleição um casuísmo, a não ser este grupo de intelectuais e sociólogos’’, disse ele, sem se dar conta que atingiu por tabela o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que tem formação acadêmica em Sociologia.
Defensor da reeleição, Lima participou ontem de um debate sobre o tema, que reuniu políticos no plenarinho da Assembléia Legislativa do Paraná. Lima desembarcou em Curitiba disposto a fazer campanha aberta pela reeleição de FHC. Ele distribuiu adesivos com a frase: ‘‘Reeleição já para FHC’’. Para o presidente da Radiobrás, o que está em jogo não é a aprovação da reeleição de um modo geral, mas apenas garantir mais quatro anos de mandato para o atual presidente. ‘‘Estamos em campanha pelo Fernando Henrique, sim, e daí?’’, questionou o presidente da estatal.
A postura de Lima provocou o descontentamento dos políticos contrários à reeleição, que participaram do debate. O ex-ministro da Saúde Borges da Silveira (PPB) se disse revoltado com as declarações de Lima. ‘‘Isso é ridículo. Deveríamos estar tratando da instituição da reeleição e não apenas do caso do Fernando Henrique’’, protestou Silveira. Ele garante existir muita gente ‘‘esclarecida’’ pensando que o que está em jogo é apenas a reeleição do atual presidente.
O deputado Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha, PT) também fez duras críticas às declarações do presidente da Radiobrás. ‘‘Isso é exemplo de puro casuísmo. O governo parou o País para discutir reeleição e esqueceu de assuntos importantes como a reforma agrária e a saúde pública’’, reagiu irritado, antes mesmo de o debate começar.
O presidente da Radiobrás ignorou os protestos e continuou a defender FHC. ‘‘Faço a guerrilha da reeleição’’, definiu. Ele desfiou um rosário de elogios ao presidente da República, dizendo que FHC ‘‘terá charme e elegância necessários para convencer deputados e senadores a votar pela reeleição’’.
Lima admitiu que a votação no Congresso será difícil, mas afirmou que o governo não teme nem mesmo a reação do PMDB, que tem condicionado o apoio a FHC em troca da eleição do deputado Michel Temer (SP) para a presidência da Câmara dos Deputados e do senador Iris Resende (GO) para o Senado. ‘‘A reivindicação do PMDB é justa, só que falta a eles uma unidade no discurso’’, considera.

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