Curitiba - Após três adiamentos por parte dos vereadores, o presidente do Instituto Curitiba de Informática (ICI), Luiz Alexandre Fagundes, compareceu ontem à Câmara Municipal para prestar esclarecimentos sobre as atividades do órgão. A anulação do contrato do ICI com o governo do Estado, que previa a elaboração e gerenciamento do sistema de Centrais de Marcação de Consultas e Leitos, foi um dos temas mais discutidos durante a audiência.
O governo do Estado decidiu romper o contrato no dia 28 de março deste ano, alegando que o valor de R$ 660 mil por mês pagos ao ICI era elevado e que a Companhia de Informática do Paraná (Celepar) poderia fazer o serviço a custo menor. O rompimento do contrato acabou interrompendo o sistema de marcação de consultas durante o dia 1º de abril. ''Na verdade, o sistema continuou em operação. Mas o ICI não podia deixar as pessoas contratadas trabalhando sem o amparo legal do contrato'', explicou Fagundes.
Segundo o presidente do ICI, um acordo foi firmado entre o governo e o ICI para que o serviço tenha continuidade até o dia 9 de maio, data em que a Celepar assumirá o controle do sistema. ''Eu acho que o prazo é curto para realizar a transição do sistema. Tivemos algumas reuniões com a Secretaria Estadual da Saúde e técnicos da Celepar, mas é uma operação complexa. O sistema realiza mais de 130 mil consultas por mês'', explicou.
O vereador Paulo Salamuni (PMDB) acredita que a Celepar pode realizar o trabalho. ''O preço realmente é elevado, mas o Estado pode e deve gerir a área de informática, que é cada vez mais vital na sociedade. A Celepar pode criar um sistema com qualidade igual ou melhor ao do ICI, e com certeza mais transparente'', afirmou Salamuni.
A reclamação da bancada de oposição ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL) na Câmara deve-se ao fato das contas do ICI não serem apresentadas à Casa, segundo Salamuni. Por ser uma Organização Social (OS) vinculada à prefeitura, o ICI precisa prestar contas apenas à própria prefeitura. ''Mas as informações que temos é que a prefeitura repassa as contas para a Câmara. Além disso, a lei prevê auditorias internas e externas para investigar eventuais irregularidades'', afirmou a assessora jurídica do ICI Luciane Leiria, nora do prefeito de Curitiba, que também compareceu à audiência.

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