Brasília - O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, admitiu ontem durante depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara que podem surgir novas crises no setor se não houver maiores investimentos do governo em infra-estrutura aeroportuária. ''Há uma necessidade clara de investirmos em infra-estrutura aeroportuária e de controle aéreo. Tem que fazer com que o investimento chegue ao seu destino final para que os órgão competentes tenham condições de investir na modernização do sistema'', defendeu.
O relator da CPI do Apagão, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que vai incluir no relatório final da comissão a necessidade de ampliação dos investimentos públicos na área de infra-estrutura aeroportuária e tráfego aéreo.
Apesar de admitir uma nova crise, Constantino disse que a população brasileira não tem motivos para questionar a qualidade do controle de tráfego aéreo nacional. Segundo o presidente da Gol, o controle de tráfego aéreo brasileiro está na chamada ''categoria 1'' de qualidade estipulada pelos Estados Unidos.
Bem-humorado, Constantino disse aos deputados que se sente mais seguro em aeronaves brasileiras que em seu próprio automóvel.
O presidente da Gol cobrou, no entanto, maior troca de informações entre a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Infraero e as companhias aéreas. As falhas de comunicação entre os órgãos, segundo Constantino, trazem reflexos no atendimento das companhias aéreas aos passageiros - que muitas vezes não têm acesso às informações porque elas não foram repassadas às empresas.
''Os três órgãos não estão dialogando. Precisamos ajustar a comunicação para disponibilizar informações corretas aos usuários'', disse.
Além do presidente da Gol, a CPI ouviu hoje o representante da Associação dos Parentes das Vítimas do Acidente da Gol, Jorge Cavalcante. Os familiares reivindicam que os pilotos do jato Legacy, que se chocou com o Boeing da Gol, sejam indiciados por homicídio doloso e não culposo - como sugere a Polícia Federal.
''É a mesma coisa se o motorista de um ônibus ou caminhão desligar o farol em uma rodovia e você e sua família vierem no sentido contrário. O motorista, assim como os pilotos, têm que ser punido'', defende.

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