Presidente da Galvão seria líder de esquema de propina
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sexta-feira, 27 de março de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - O empresário Dario de Queiroz Galvão Filho, acionista do Grupo Galvão e presidente da Galvão Participações (controladora da Galvão Engenharia), é apontado pela Justiça como líder do esquema de pagamento de propina e principal responsável pelos crimes ocorridos no âmbito da empreiteira. Ele foi preso em sua residência em São Paulo, em mais uma fase da Operação Lava Jato deflagrada ontem, e chegou na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, por volta das 17h30. Além dele, também foi detido Guilherme Esteves de Jesus, lobista apontado como um dos operadores do esquema.
A Galvão Engenharia é uma das empreiteiras investigadas pela Lava Jato que apura esquema de corrupção dentro da Petrobras. A empresa é suspeita de integrar o chamado clube de empreiteiras que fraudavam licitações da estatal, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Galvão Filho já é réu num dos processos que investiga crimes como corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
"Apesar da presunção de inocência e da excepcionalidade da prisão cautelar, a medida se justifica diante dos indícios supervenientes de que era Dario Galvão, como mandante, o principal responsável pelos crimes no âmbito da Galvão Engenharia", ressaltou o juiz federal Sérgio Moro, em seu despacho deferindo o pedido de prisão preventiva feito pela força tarefa do MPF.
O magistrado justifica o deferimento da prisão ressaltando que existe "risco à ordem pública e a necessidade da medida para prevenir habitualidade e reiteração criminosa". Além disso, Moro completa apontando que "há provas de prática dos crimes por prolongados períodos, que se estende, pelo menos, de 2008 a 2014".
Para os procuradores da força-tarefa, o empresário teria, inclusive, mais responsabilidade nos crimes de lavagem e pagamento de propinas a dirigentes da Petrobras do que Erton Fonseca, diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, e que está preso desde novembro do ano passado.
Além dos depoimentos dos delatores, incluindo as declarações do engenheiro e lobista que agia em nome da Galvão, Shinko Nakandakari, e que fez acordo de delação premiada no final de janeiro, os investigadores apontam documentos que comprovariam a participação do empresário.
O juiz cita inclusive contrato fechado entre a Galvão Engenharia e a MO Consultoria - empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. A investigação aponta que houve pagamentos por serviços que nunca existiram. Estes contratos teriam chegado ao valor de R$ 4,1 milhões. Além disso, em depoimento aos delegados da PF, Erton Fonseca admitiu pagamentos entre 2010 a 2014 no montante de R$ 8,8 milhões à Diretoria de Serviços da Petrobras, por meio de contratos simulados com a empresa LFSN Consultoria Engenharia S/S Ltda., empresa de Shinko Nakandakari.
"Mais do que o depoimento de criminosos colaboradores, conta o feito com prova documental, especificamente da transferência de valores milionários pelas empreiteiras às contas de empresas de fachada controladas pela Galvão Engenharia", destaca outro trecho do despacho.
Moro explica que a prisão também foi motivada pelo risco à investigação e à instrução, tendo, por exemplo, a Galvão Engenharia apresentado documentos falsos no dia 11 de novembro de 2014 no inquérito policial em trâmite na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, para apurar os fatos.
"À luz dessas novas provas de autoria, colocando Dario Galvão em posição inclusive de maior responsabilidade do que Erton Fonseca em relação a crimes de lavagem e pagamento de propinas a dirigentes da Petrobras pela Galvão Engenharia, entendo que deve ser também contra ele decretada a prisão preventiva", indicou Moro, que complementou: "Seria até estranho manter a prisão preventiva de Erton Fonseca, como fez este Juízo e todas as instâncias recursais até o momento, e deixar em liberdade aquele quem, as provas em cognição sumária, apontam como mandante. Presente, portanto, risco à ordem pública".
A advogada de Dario, Sylvia Urquiza, informou que vai entrar com um habeas corpus pedindo a liberdade de seu cliente, e que considera a prisão "ilegal e absolutamente sem fundamento". "Não há motivos para que meu cliente seja preso, nenhuma justificativa legal para tal decisão", ressaltou. Sylvia ainda reforçou que Galvão Filho compareceu a todos os atos processuais, demonstrando "respeito ao Judiciário".


