Presidente da Fenaj defende em Londrina criação de Conselho
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Instrumento de defesa ou de cerceamento da atividade jornalística? Polêmica, a criação ou não de um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) foi assunto de debate realizado ontem à noite no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Londrina.
Voltado aos profissionais da área e aberto à comunidade, o evento foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Ontem à tarde, o presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, visitou a Redação da Folha e defendeu alguns tópicos que, na opinião dele, justificam a criação do Conselho. Atualmente, o projeto que cria o ógão tramita em duas comissões da Câmara de Deputados, em Brasília.
''O CFJ será um mediador entre a sociedade e o jornalista e o fiscalizador do registro profissional, não do conteúdo'', afirmou Andrade. De acordo com ele, a idéia é seguir algo semelhante ao que a OAB faz hoje recomendação de cursos e avaliação dos recém-formados e fiscalizar o exercício da profissão. ''Hoje as Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) que fazem isso, enquanto que nos Estados Unidos e na Europa já existem conselhos semelhantes'', exemplificou.
Conforme o presidente da Fenaj, a intenção é que o controle exercido no jornalista pelo CFJ seja feito não só por outros jornalistas, como também por pessoas de outras profissões. Questionado sobre quem seriam esses demais integrantes, Andrade disse apenas que seria ''gente que conheça a rotina das redações''. Questinado se isso não compromete a avaliação jornalística do Conselho, respondeu: ''Não, isso vai garantir que prestemos contas à sociedade, o que é feito hoje de forma insuficiente.''
Na avaliação de Andrade, a existência de leis ligadas à função jornalística como a Lei de Imprensa, criada à época da ditadura representam instrumento de consulta somente à sociedade, não ao jornalista. ''O CFJ vai definir as regras de acesso e de ética à profissão, e isso a Lei de Imprensa não faz'', comentou. Andrade informou que a Fenaj vai pedir à Câmara que patrocine uma audiência pública com a sociedade, o que, garantiu, não vai influenciar nas decisões posteriores do órgão. ''A lei é nossa, mas evidentemente o Parlamento vai mexer, pois é função dele'', concluiu.


