Presidente da CPT defende projeto de modelo econômico
''O País precisa de um novo projeto de modelo econômico nem que para isso seja preciso ressuscitar nosso querido economista Celso Furtado'', declarou ontem o presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduino (bispo emérito de Goiás), que participou do 4º Encontro Nacional de Fé e Política em Londrina, no final de semana. ''Naturalmente que isso é uma crítica ao governo. Um projeto seria a superação desse posicionamento atual do governo Lula'', afirmou.
Dom Balduino defende que o País não seja subordinado às exigências do capital financeiro.''Não sou eu que defendo, mas todas essas pessoas que estão mobilizadas. Não há dúvida de que o País passa por uma crise social e política. Sem contar que está subordinado às exigências do capital financeiro determinadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)'', argumentou o bispo. Segundo ele, o povo organizado atinge um nível de consciência popular que se eleva a cada dia, mas é preciso que o governo acene com essas mudanças. Ele criticou ainda a política de Lula para a reforma agrária. ''A proposta do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) não é só um pedaço de chão, mas uma mudança política.''
O assessor especial da Presidência da República, Frei Betto, compartilha das críticas de dom Balduino. ''As mudanças são um compromisso historicamente do governo Lula'', comentou. Durante a palestra Mística e Espiritualidade, Frei Betto disse: ''Eu, como vocês, tenho muitas críticas com o governo Lula. Não vou dizer quais são as críticas, mas tenho brigado por isso, internamente. Apesar de todas as contradições do governo, tenho total confiança no companheiro Lula''.
Segundo o assessor especial do presidente, o governo tem duas pernas de governabilidade. Uma formada pela bancada do PT e a outra pela mobilização social. ''Os governos só funcionam como panela de pressão'', afirmou Frei Betto, acrescentando que, em meio a 160 milhões de brasileiros, não consegue enxergar ''outra pessoa que não seja o Lula naquela cadeira'' (Palácio do Planalto).
Frei Betto reafirmou mais uma vez que deixa o governo no próximo dia 20 e elogiou o fato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido o único governo a criar um gabinete de mobilização social. ''Depois que eu estou no Planalto, descobri que as ocupações (do MST) são fichinha perto das ocupações das elites desse País. Não podemos permitir que o governo seja sequestrado pelo neo-liberalismo'', concluiu. (V.B.)





