Curitiba – O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da JMK, Soldado Fruet (PROS), questionou nessa quarta-feira (11) a demora do governo do Paraná em apurar as supostas irregularidades cometidas pela empresa na manutenção e gestão dos veículos oficiais do Estado. A comissão foi constituída na AL (Assembleia Legislativa) em abril, após a deflagração da Operação Peça Chave, que apura denúncias como faturamento de serviços não executados e direcionamento de oficinas. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 125 milhões.

Segundo o deputado, depoimentos de gestores de frotas da Polícia Civil e da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), prestados na terça-feira (10), mostraram que há 400 protocolos sobre ilícitos registrados na Seap (Secretaria de Estado da Administração e Previdência) desde 2015, na gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB). “Mesmo assim, o governo fez seis aditivos e manteve o contrato com a JMK”, afirma. “Quando uma oficina vai prestar serviços para o Estado, ela pensa em credibilidade, mas o que ficou demonstrado é o contrário”, completa.

Foram ouvidos os investigadores da Polícia Civil Aureo Lincoln Crovador da Silva, que era superintendente do 5º Distrito Policial de Curitiba, e Delcio Domingos Ferreira, à época superintendente do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente). Ambos relataram que abriram ordens de serviço para a JMK providenciar o reparo de viaturas. Sem retorno da empresa, porém, nem chegaram a levar os veículos para as oficinas.

O líder do governo Ratinho Junior (PSD) na Casa, Hussein Bakri (PSD), disse que é preciso diferenciar a administração atual das anteriores. “Não vi a declaração do Fruet. Se ele está falando do governo passado, não sei te responder. Se está falando do nosso, o nosso suspendeu contrato, contratou uma empresa emergencial e está fazendo o processo normal, inclusive com possibilidade de regionalizar e salvaguardando o dinheiro público”.

DEFESA

Em nota, a JMK reafirmou que as dificuldades em receber do governo “criaram uma série de problemas na execução do contrato”. Sobre os casos relatados na terça-feira (10), a empresa esclarece “que a delegacia pagou, através de fundo rotativo, por um serviço orçado pela JMK, sem comunicar à empresa. Assim que percebeu o duplo pagamento, a JMK devolveu o recurso recebido”. A companhia também enviou à reportagem cópias das notas. “Não houve superfaturamento e nem outra irregularidade no contrato e tudo será esclarecido com provas na Justiça”, prossegue.

Quanto aos 400 protocolos recebidos pela Seap, a a JMK alega que o montante representa 0,18% do total de 220 mil ordens de serviços abertas em quatro anos e meio de vigência do contrato. “Uma porcentagem insignificante perto de um serviço tão complexo quanto à manutenção de uma frota de mais de 17 mil veículos”, finaliza.

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